OXI !
A victória do "Não" no referendo é um evento histórico. Vai fazer data. Apesar das inúmeras pressões para um voto "Sim" tanto da parte dos médias gregos como dos dirigentes da União Europeia, com a agravante da organização do BCE de condições de pânico bancário, o povo grego fez entender a sua voz. Se fez entender contra as mentiras que foram veiculadas continuamente sobre a situação na Grécia estas últimas semanas. Nós teremos aqui algo a dizer sobre esses editorialistas que expressamente mascararam a realidade, deixando entender uma ligação entre o Syriza e a extrema-direita Aurora Dourada. Mentiras que não nos surpreendem mais, mas não as esqueceremos. O povo fez entender a sua voz com uma força rara, porque contrariamente ao que deixavam pensar as sondagens realizadas á saída das urnas, a victória do "Não" obteve-se com uma margem importante, por volta dos 60%. Isso reforça ainda mais o governo de Alexis Tsipras e deverá fazer meditar os seus interlocutores. Nós veremos rapidamente como será. Mas devemos dizer que as reacções, sejam de Martin Schulo (perdão, ler "Martin Schulz") no Parlamento Europeu, de Jean-Claude Juncker da Comissão, ou de Sigmar Gabriel, Ministro da Economia e aliado do SPD da Srª Merkel na Alemanha, não deixam entrever margem para optimismo.
Esta victória do "Não", também, e mais que evidente, soou a nostalgia na França. Ela teve lugar quase 10 anos depois do "Não", no nosso País (também na Holanda). Era questão nesse tempo, em 2005, do projecto do Tratado Constitucional Europeu. Este projecto foi rejeitado no nosso País por mais de 54% dos votos. Também nesse tempo, as campanhas dos médias e adeptos do "Sim" passaram todos os limites do razoável. Os adeptos do "Não" foram insultados de injúrias e ameaças. Mas eles se mantiveram. Daí data o divórcio, que não pára de aumentar, entre franceses e a casta mediática, divórcio que se lê nas estatísticas decadentes dos médias "oficiais" e na explosão da audiência de blogs, como este.
O voto marcou uma clara diferença entre o que pensavam os eleitores das classes populares e aqueles das classes mais ricas. Tinha-o qualificado então como a victória dos prolos ( termo relatio a "proletariado") sobre os bobos. Parece que assistimos a um fenómeno da mesma ordem na Grécia, pois que as zonas ricas de ATenas votaram "Sim" com mais de 80%, e foi numa proporção inversa que o "Não" ganhou nas zonas populares. O voto "Não" dos gregos é um éco directo do "Não" francês. Portanto após multiplas manobras, um texto quase similar, o "Tratado de Lisboa", foi adoptado no "congresso" anos mais tarde graças a uma aliança sem principio entre o UMP e PS ( UMP, actualmente "les Républicains", é o equivalente ao PSD da Coelhada). Desde então data a ruptura entre que se constata entre as elites políticas, mediáticas e os eleitores. Esta negação da democracia, esse roubo de um voto soberano, é uma profunda ferida para muitos franceses. A larga victória do "Não" grego vem acordar essa ferida e poderá impulsionar os eleitores a pedir contas de um passado que decidamente não passa.
O sentido de um "Não".
Mas tem de se compreender o profundo sentido deste "Não". Ele se opõe aos comportamentos anti-democráticos dos responsáveis do Eurogrupo, da Comissão Europeia ou do Parlamento Europeu. Ele desacredita pessoas como Jean-Claude Juncker, Dijssenbloem ou ainda Martin Schulz, o Presidente do Parlamento. Ele se opõe sobretudo á lógica que foi posta em obra desde o 27 de Junho, quando Dijssenbloem, Presidente do Eurogrupo, decidiu excluir o Srº Varoufakis, Ministro das Finanças grego, de uma reunião. Esse insensato gesto significava excluir a Grécia da zona Euro. Devemos então tomar atenção á estranha passividade do Ministro Francês, Michel Sapin. Aceitando ficar na sala, ele foi conivente do abuso de poder cometido por Dijssenbloem. Mesmo se o governo francês diz actualmente desejar que a Grécia fique na zona Euro, o comportamento de um dos seus eminentes membros, que para mais próximo do Presidente da Républica, vem trazer um desmentido, senão pelo menos deixa dúvidas sobre a realidade deste compromisso. O governo grego não pôde certamente de o deixar de notar. Assim nós ficamos excluídos de uma batalha onde a Alemanha, seja indirecta ou directamente, largamente inspirou as posições europeias.
O facto é que o BCE organizou durante a semana do 28 Junho ao 5 Julho. a asfixia financeira dos bancos gregos, provocando uma emoção compreensível no seio da população, isto é a prova que as Instituições Europeias não tinham em conta continuar as negociações com Alexis Tsipras, mas tentavam obter, seja a demissão voluntária, ou a destituição numa dessas assembleias enganosas que o regime parlamentar grego permite. O referendo foi também uma tentativa para se opôr a essas manobras. A victória do "Não" garantiu que o governo de Tsipras fique ao abrigo desse tipo de manobras.
Será possível uma retoma das negociações ?
Mas isso não significa que as negociações sobre a dívida grega, portanto necessárias, justificadas como o recorda um relatório do FMI oportunamente publicado apesar das tentativas de embargo por parte do Eurogrupo, podem retomar. Todos os economistas que examinaram este dossier, personalidades ilustres como Paul Krugman e Joseph Stiglitz (prémios Nobel), especialistas internacionais como James Galbraith ou Thomas Piketty, explicam desde á semanas que sem uma reestruturação da divida acompanhada de uma anulação desta ultima, a Grécia nunca poderá retomar o caminho do crescimento. E seria lógico acordar á Grécia o mesmo que, em 1953, foi acordado á Alemanha. Mas tem de ser rápido, sem dúvida em 48h, e não é dito que as Instituições Europeias, que tentaram impedir o relatório do FMI, o queiram. A declaração de Martin Schulz, Presidente do Parlamento Europeu, ou a de Sigmar Gabriel dizendo que tudo estava rompido, não augira nada de bom.
A decisão de Varoufakis de se demitir de seu posto de Ministro das Finanças criou espanto. Ele é sem dúvida, um dos grandes vencedores do referendo. Mas esta decisão é muito lógica. Sua substituição por Euclid Tsakalotos vai mais longe que uma simples concessão táctica acordada aos "credores". Foi assim que Varoufakis apresentou a sua demissão. Mas o novo Ministro poderia também significar a chegada de um homem mais apto a uma ruptura. Tsakalotos não esconde que ficou um "Eurocéptico". Não o mediram ainda muito bem a Bruxelas, mas Varoufakis era apaixonadamente ligado ao Euro e á ideia Europeia. Não é o caso de Tsakalotos. Este poderá trazer consequências muito importantes nos próximos dias.
No entanto, se o BCE não se decide a aumentar muito rapidamente o teto do acordo de urgência (ELA), a situação poderá rapidamente ser muito critica na Grécia e as negociações perderão todo sentido. Foi o que disse Tsipras na noite da victória do "Não". Um acordo poderá ser possível, se as duas partes o quiserem. Mas justamente, teremos de ter o direito á dúvida, e mais ainda, sobre as intenções das Instituições Europeias.
Se o BCE não aumenta o teto máximo do ELA, o governo grego não terá outra escolha. Ele deverá pôr em circulação "certificados de pagamento", que constituirão uma moeda paralela, ou tomar o Banco Central através de decreto (uma requisição) e forçá-lo a meter em circulação tantas notas como as que tem em reserva, como as que são conservadas nos bancos comerciais sob sua autorização. Se uma tomada do Banco Central seria totalmente justificado por causa do comportamento do BCE e do Eurogrupo que violaram o fundo como a letra dos Tratados, é mais +provável que a primeira opção será a escolhida. Em todos os casos, essa não era a posição de Yanis Varoufakis. Não sabemos á hora actual qual será a posição de Tsakalotos. Se o governo grego se decide então a emitir certificados de pagamento, isso conduziria rapidamente a um sistema de duas moedas na Grécia, e daqui a algumas semanas, pode-se pensar que uma da duas desapareceria. Seriamos confrontados á saída do Euro, o "Grexit". Convém aqui dizer que esta saída do Euro, seria totalmente da responsabilidade das Instituições Europeias.
Estará em curso a saída da Grécia do Euro ?
Tem de se lembrar que uma saída do Euro não passa obrigatoriamente por uma decisão clara e acordada. Esse ponto foi particularmente focado por Frances Coppola num artigo publicado pelo magazine Forbes. Pode resultar da lógica de circunstancias e reacções do governo grego face ao duplo jogo tanto do Eurogrupo que do BCE, que tem legalmente a responsabilidade de manter estável o sistema bancário nos Países da zona Euro, organize na realidade o estrangulamento dos bancos e suas falências.
=========================Em actualização
Fonte : Blog de Jacques Sapir
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segunda-feira, 6 de julho de 2015
domingo, 5 de julho de 2015
Estatisticas interessantes sobre intenção de voto na Grécia
Numa publicação grega, encontrei umas estatísticas muito interessantes, mas sobretudo ressalta esta aqui, clique na imagem para fazer zoom:
Ainda faltam umas horas para o fim dos votos, mas nota-se, neste gráfico, um fenómeno muito intrigante : são os jovens que sentem que algo deve ser mudado. Á medida que a idade vai avançando, o espírito de revolução, de mudança, percebe-se de menos em menos. Será por comodismo ?
FONTE
Ainda faltam umas horas para o fim dos votos, mas nota-se, neste gráfico, um fenómeno muito intrigante : são os jovens que sentem que algo deve ser mudado. Á medida que a idade vai avançando, o espírito de revolução, de mudança, percebe-se de menos em menos. Será por comodismo ?
FONTE
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Grécia na borda do precipicio (Paul Krugman)
Artigo de Paul Krugman, outro Prémio Nobel de Economia, que mais uma vez afirma que a criação do euro foi um erro e deseja que o "não" ganhe no referendo da Grécia.
« É evidente, já há bastante tempo, que a criação do Euro foi um grande equívoco. A Europa nunca teve as condições prévias necessárias para manter uma moeda única que desse certo, e mais que isso, o tipo de união fiscal e bancária que, por exemplo, assegura que quando a bolha imobiliária estoura na Flórida, Washington possa proteger automaticamente a terceira idade de qualquer ameaça sobre sua proteção social e seus depósitos bancários.
Abandonar uma união monetária é, contudo, uma decisão muito mais difícil, e mais assustadora que nunca. Até agora, as economias do continente, quando apresentaram maiores problemas, decidiram dar um passo atrás antes de chegar às margens do abismo. Mas de uma vez, os governos se submeteram às exigências de dura austeridade dos credores, enquanto o Banco Central Europeu agia para conter o pânico dos mercados.
Mas a situação na Grécia alcançou o que parece ser um ponto sem retorno. Os bancos estão fechados temporariamente e o governo impôs controles de capital (limites ao movimento de fundos ao exterior). Parece ser muito provável que o Poder Executivo logo terá que iniciar o pagamento das aposentadorias e pensões, além dos salários do serviço público, o que, na prática, criaria uma moeda paralela. E, na semana que vem, o país vai celebrar um plebiscito sobre a conveniência de aceitar as exigências da troica – as instituições que representam os interesses dos credores –, o que significaria multiplicar as medidas de austeridade.
A Grécia tem que votar no “não” nesse plebiscito, e seu governo deve estar pronto para, se for preciso, abandonar a Zona Euro.
Para entender porque digo isso devemos, primeiro ser conscientes de que a maioria das coisas – não todas, mas a maioria – que ouvimos sobre o desperdício e a irresponsabilidade grega são falsas. Sim, o governo grego estava gastando mais do que podia no final da década passada. Mas, desde então, realizou diversos cortes no gasto público e aumentou a arrecadação fiscal. Os empregos públicos foram reduzidos em mais de 25% e as aposentadorias (que eram, certamente, bastante generosas) foram recortadas drasticamente. Todas as medidas foram mais que suficientes para eliminar o déficit original e transformá-lo num amplo superavit.
Por que isso não ocorreu? Porque a economia grega desabou, muito por causa dessas importantes medidas de austeridade, que afetaram demais a arrecadação.
Esse colapso, por sua vez, teve muito a ver com o euro, que colocou a economia grega numa camisa de força. Em geral, os casos de sucesso em políticas de austeridade – aquelas em que os países conseguiram frear seu déficit fiscal sem cair em depressão económica – trazem consigo uma importante desvalorização monetária, que fazem com que suas exportações sejam mais competitivas. Isso aconteceu, por exemplo, no Canadá, nos Anos 90, e recentemente na Islândia. Mas a Grécia, sem sua própria divisa, não teve essa opção.
Quero dizer com isso que seria conveniente um Grexit – a saída da Grécia da Zona Euro? Não necessariamente. O problema do Grexit sempre foi o risco do caos financeiro, por um sistema bancário bloqueado pelos saques que vieram com o pânico e por um setor privado afetado tanto pelos problemas bancários como pelas incertezas sobre o status legal das dívidas. É por isso que os sucessivos governos gregos aceitaram as exigências de austeridade, e até mesmo o Syriza, a coalizão de esquerda que chegou ao poder, estava disposta a aceitar uma austeridade que já havia sido imposta. Apenas pediu para que se evitasse uma maior dose de austeridade.
Mas a troica fechou as portas para essa opção. É fácil se perder nos detalhes, mas agora, o ponto principal é que os credores ofereceram à Grécia um “pegar ou largar”, uma oferta de aprofundamento das políticas dos últimos cinco anos.
Essa oferta estava e está destinada a ser rejeitada pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras: não pode aceitá-la porque isso significaria jogar fora a razão de ser do seu movimento político. Portanto, suas intenções podem levá-lo a abandonar seu cargo, algo que provavelmente acontecerá, se os eleitores gregos votarem baseados no temor à confrontação com a troica, e decidirem pelo “sim” na semana que vem.
Mas não deveriam fazê-lo, por três razões. A primeira, porque sabemos que a austeridade é cada vez mais dura, e pode levar o país a ficar encurralado economicamente: após cinco anos dessas medidas, a Grécia está numa situação pior que nunca. A segunda, porque praticamente todo o caos que poderia ocorrer num possível Grexit já tem sucedido. Os bancos estão fechados e os controles de capital continuam vigentes, não há como fazer danos muito maiores que esses.
Por último, a adesão ao ultimato da troica levaria ao abandono definitivo de qualquer pretensão de independência da Grécia. Não nos deixemos enganar por aqueles que afirmam que os funcionários da troica são somente técnicos, que explicam aos gregos ignorantes o que devem fazer. Esses supostos tecnocratas são, na verdade, vendedores de fantasias, que omitiram todos os princípios da macroeconomia, e que fracassaram em cada passo dado até aqui. Não é uma questão de análise, é uma questão de poder: o poder dos credores para tirar a economia grega da tomada, que persistirá enquanto a saída da Zona Euro seja considerada impensável.
Portanto, é hora de colocar fim a esse inimaginável. Caso contrário, a Grécia enfrentará as consequências da austeridade infinita e uma depressão da qual não poderá se livrar tão cedo. »
FONTE
« É evidente, já há bastante tempo, que a criação do Euro foi um grande equívoco. A Europa nunca teve as condições prévias necessárias para manter uma moeda única que desse certo, e mais que isso, o tipo de união fiscal e bancária que, por exemplo, assegura que quando a bolha imobiliária estoura na Flórida, Washington possa proteger automaticamente a terceira idade de qualquer ameaça sobre sua proteção social e seus depósitos bancários.
Abandonar uma união monetária é, contudo, uma decisão muito mais difícil, e mais assustadora que nunca. Até agora, as economias do continente, quando apresentaram maiores problemas, decidiram dar um passo atrás antes de chegar às margens do abismo. Mas de uma vez, os governos se submeteram às exigências de dura austeridade dos credores, enquanto o Banco Central Europeu agia para conter o pânico dos mercados.
Mas a situação na Grécia alcançou o que parece ser um ponto sem retorno. Os bancos estão fechados temporariamente e o governo impôs controles de capital (limites ao movimento de fundos ao exterior). Parece ser muito provável que o Poder Executivo logo terá que iniciar o pagamento das aposentadorias e pensões, além dos salários do serviço público, o que, na prática, criaria uma moeda paralela. E, na semana que vem, o país vai celebrar um plebiscito sobre a conveniência de aceitar as exigências da troica – as instituições que representam os interesses dos credores –, o que significaria multiplicar as medidas de austeridade.
A Grécia tem que votar no “não” nesse plebiscito, e seu governo deve estar pronto para, se for preciso, abandonar a Zona Euro.
Para entender porque digo isso devemos, primeiro ser conscientes de que a maioria das coisas – não todas, mas a maioria – que ouvimos sobre o desperdício e a irresponsabilidade grega são falsas. Sim, o governo grego estava gastando mais do que podia no final da década passada. Mas, desde então, realizou diversos cortes no gasto público e aumentou a arrecadação fiscal. Os empregos públicos foram reduzidos em mais de 25% e as aposentadorias (que eram, certamente, bastante generosas) foram recortadas drasticamente. Todas as medidas foram mais que suficientes para eliminar o déficit original e transformá-lo num amplo superavit.
Por que isso não ocorreu? Porque a economia grega desabou, muito por causa dessas importantes medidas de austeridade, que afetaram demais a arrecadação.
Esse colapso, por sua vez, teve muito a ver com o euro, que colocou a economia grega numa camisa de força. Em geral, os casos de sucesso em políticas de austeridade – aquelas em que os países conseguiram frear seu déficit fiscal sem cair em depressão económica – trazem consigo uma importante desvalorização monetária, que fazem com que suas exportações sejam mais competitivas. Isso aconteceu, por exemplo, no Canadá, nos Anos 90, e recentemente na Islândia. Mas a Grécia, sem sua própria divisa, não teve essa opção.
Quero dizer com isso que seria conveniente um Grexit – a saída da Grécia da Zona Euro? Não necessariamente. O problema do Grexit sempre foi o risco do caos financeiro, por um sistema bancário bloqueado pelos saques que vieram com o pânico e por um setor privado afetado tanto pelos problemas bancários como pelas incertezas sobre o status legal das dívidas. É por isso que os sucessivos governos gregos aceitaram as exigências de austeridade, e até mesmo o Syriza, a coalizão de esquerda que chegou ao poder, estava disposta a aceitar uma austeridade que já havia sido imposta. Apenas pediu para que se evitasse uma maior dose de austeridade.
Mas a troica fechou as portas para essa opção. É fácil se perder nos detalhes, mas agora, o ponto principal é que os credores ofereceram à Grécia um “pegar ou largar”, uma oferta de aprofundamento das políticas dos últimos cinco anos.
Essa oferta estava e está destinada a ser rejeitada pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras: não pode aceitá-la porque isso significaria jogar fora a razão de ser do seu movimento político. Portanto, suas intenções podem levá-lo a abandonar seu cargo, algo que provavelmente acontecerá, se os eleitores gregos votarem baseados no temor à confrontação com a troica, e decidirem pelo “sim” na semana que vem.
Mas não deveriam fazê-lo, por três razões. A primeira, porque sabemos que a austeridade é cada vez mais dura, e pode levar o país a ficar encurralado economicamente: após cinco anos dessas medidas, a Grécia está numa situação pior que nunca. A segunda, porque praticamente todo o caos que poderia ocorrer num possível Grexit já tem sucedido. Os bancos estão fechados e os controles de capital continuam vigentes, não há como fazer danos muito maiores que esses.
Por último, a adesão ao ultimato da troica levaria ao abandono definitivo de qualquer pretensão de independência da Grécia. Não nos deixemos enganar por aqueles que afirmam que os funcionários da troica são somente técnicos, que explicam aos gregos ignorantes o que devem fazer. Esses supostos tecnocratas são, na verdade, vendedores de fantasias, que omitiram todos os princípios da macroeconomia, e que fracassaram em cada passo dado até aqui. Não é uma questão de análise, é uma questão de poder: o poder dos credores para tirar a economia grega da tomada, que persistirá enquanto a saída da Zona Euro seja considerada impensável.
Portanto, é hora de colocar fim a esse inimaginável. Caso contrário, a Grécia enfrentará as consequências da austeridade infinita e uma depressão da qual não poderá se livrar tão cedo. »
FONTE
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Syriza: o roubo e desmoronamento. Quando a esquerda radical abraça as politicas da direita radical.
Este é um pequeno texto da conclusão de um artigo. Mostra-nos outro ponto de vista sobre o Syriza. Realmente, pergunta-se como é que um Partido que não deseja a austeridade e ao mesmo tempo ficar na Zona Euro ? Sabendo de antemão, que UE e Euro, nada mais significam que "ditadura, submissão" . Falta de tempo, só uma pequena parte foi traduzida, a conclusão.
«« A decisão política do Syriza de "integrar" a todo o preço a UE e a zona Euro, significa que a Grécia continuará de ser um Estado-Vassalo, traindo o seu programa e adoptando políticas extremamente reacionárias, tudo em ditando a sua falsa retórica esquerdista e fingindo "resistir" á Troika. Bem que o Syriza tenha pilhado a Caixa Nacional de Pensões e as Tesourarias Locais, inúmeros esquerdistas enganados por essa Europa e nos Estados-Unidos, continuam a aceitar e de apoiar as decisões do Partido, que qualificam de "compromissos realistas e pragmáticos".
O Syriza afundou a Grécia ainda mais profundamente na hierarquia dominada pela finança Alemã, abandonando o seu poder Soberano de impôr uma moratória sobre a Dívida, de sair da Zona Euro, gerir os recursos financeiros, restabelecer uma moeda Nacional, impôr o controlo de capitais, confiscar os milhões de euros em contas ilícitas no estrangeiro, mobilizar os fundos locais para financiar a retoma económica e reactivar o sector público e privado. Várias vezes, o falso "sector de esquerda" do Syriza, formulou magras "objecções", enquanto a mascarada Tsipras-Varoufakis procediam á última capitulação.
No fim de contas, o Syriza agravou a pobreza e o desemprego, aumentou o controlo estrangeiro da economia, desbastou ainda mais o sector público, facilitou o despedimento de trabalhadores e reduziu as indemnizações de despedimento, tudo isto em aumentando o role das Forças Armadas, serrando ainda mais as ligações com a NATO e Israel. »»
Ler artigo completo AQUI
«« A decisão política do Syriza de "integrar" a todo o preço a UE e a zona Euro, significa que a Grécia continuará de ser um Estado-Vassalo, traindo o seu programa e adoptando políticas extremamente reacionárias, tudo em ditando a sua falsa retórica esquerdista e fingindo "resistir" á Troika. Bem que o Syriza tenha pilhado a Caixa Nacional de Pensões e as Tesourarias Locais, inúmeros esquerdistas enganados por essa Europa e nos Estados-Unidos, continuam a aceitar e de apoiar as decisões do Partido, que qualificam de "compromissos realistas e pragmáticos".
O Syriza afundou a Grécia ainda mais profundamente na hierarquia dominada pela finança Alemã, abandonando o seu poder Soberano de impôr uma moratória sobre a Dívida, de sair da Zona Euro, gerir os recursos financeiros, restabelecer uma moeda Nacional, impôr o controlo de capitais, confiscar os milhões de euros em contas ilícitas no estrangeiro, mobilizar os fundos locais para financiar a retoma económica e reactivar o sector público e privado. Várias vezes, o falso "sector de esquerda" do Syriza, formulou magras "objecções", enquanto a mascarada Tsipras-Varoufakis procediam á última capitulação.
No fim de contas, o Syriza agravou a pobreza e o desemprego, aumentou o controlo estrangeiro da economia, desbastou ainda mais o sector público, facilitou o despedimento de trabalhadores e reduziu as indemnizações de despedimento, tudo isto em aumentando o role das Forças Armadas, serrando ainda mais as ligações com a NATO e Israel. »»
Ler artigo completo AQUI
Christine Lagarde sobre a Grécia...
Lagarde afirma que a Grécia deve antes de tudo reformar a sua Economia antes de um acordo sobre a reestruturação da dívida Grega, mas o problema, e essa é a razão pela qual o Syriza quitou as negociações, é que nenhum membro da Troika, está inclinado para assinar um compromisso nesse sentido. De boas intenções, está o inferno cheio, quanto ás palavras, o vento leva-as, mas um escrito, uma assinatura, fica. E é esse ponto pelo qual Alexis Tsipras lutou, se bem que infrutífero até ao momento. Pois que é inútil e absurdo, que se conceda um empréstimo para pagar outro empréstimo. Não tem sentido, sobretudo que agora a economia Grega apresenta um excedente, suficientemente saudável, para nem sequer precisar de um cêntimo da Troika. Isto caso os ditadores da UE e companhia se dignem discutir e assinar um compromisso sobre a dívida.
O Ataque da Europa à Democracia Grega (Joseph Stiglitz)
Um artigo datado do 29/06/2015 do Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, em que critica a União Europeia, tudo em defendendo a causa Grega.
« A União Europeia, é a antítese da Democracia » Joseph Stiglitz, Prémio Nobel de Economia.
O crescendo de quezílias e acrimónia na Europa pode parecer a quem está de fora o resultado inevitável do amargo final de jogo que decorre entre a Grécia e os seus credores. Com efeito, os líderes Europeus estão a começar finalmente a revelar a verdadeira natureza da disputa existente sobre a dívida, e a resposta não é agradável: tem muito mais a ver com poder e democracia do que com dinheiro e economia.
« A União Europeia, é a antítese da Democracia » Joseph Stiglitz, Prémio Nobel de Economia.
O crescendo de quezílias e acrimónia na Europa pode parecer a quem está de fora o resultado inevitável do amargo final de jogo que decorre entre a Grécia e os seus credores. Com efeito, os líderes Europeus estão a começar finalmente a revelar a verdadeira natureza da disputa existente sobre a dívida, e a resposta não é agradável: tem muito mais a ver com poder e democracia do que com dinheiro e economia.
Evidentemente,
a natureza económica subjacente ao programa que a “troika” (a Comissão
Europeia, o Banco Central Europeu, e o Fundo Monetário Internacional)
impôs à Grécia há cinco anos atrás foi terrível, tendo provocado um
decréscimo de 25% no PIB do país. Não consigo pensar numa depressão, em
altura alguma, que tenha sido tão deliberada e tenha tido consequências
tão catastróficas. A taxa de desemprego juvenil na Grécia, por exemplo, é
hoje superior a 60%.
É
surpreendente que a troika tenha recusado aceitar responsabilidades por
qualquer uma destas situações, ou admitir a grande medida em que
falharam as suas previsões e modelos. Mas o que ainda é mais
surpreendente é que os líderes da Europa nem sequer aprenderam. A troika ainda exige que a Grécia atinja um excedente orçamental primário (excluindo os pagamentos de juros) de 3,5% do PIB até 2018.
Economistas
em todo o mundo já condenaram essa meta como punitiva, porque tentar
atingi-la levará inevitavelmente a uma recessão ainda maior. Na verdade,
mesmo que a dívida Grega seja reestruturada para além de tudo o que é
imaginável, o país permanecerá em depressão se os eleitores se
comprometerem com a meta da troika, no referendo-relâmpago que decorrerá
este fim de semana.
Quanto
a transformar um grande défice primário num excedente, poucos países
conseguiram algo semelhante ao que os Gregos alcançaram nos últimos
cinco anos. E, embora o custo em termos de sofrimento humano tenha sido
extremamente elevado, as recentes propostas do governo Grego foram
bastante alteradas no sentido de cumprir as exigências dos seus
credores.
Devemos
ser claros: quase nada da enorme quantidade de dinheiro emprestado à
Grécia acabou por lá chegar. Desapareceu para pagar aos credores do
sector privado, incluindo bancos Alemães e Franceses. A Grécia só
conseguiu uma ninharia, mas pagou um elevado preço para preservar os
sistemas bancários destes países. O FMI e outros credores “oficiais” não
necessitam do dinheiro que está a ser pedido. Numa situação, o dinheiro
recebido seria muito provavelmente apenas emprestado de novo à Grécia.
Continuar a leitura AQUI
sábado, 27 de junho de 2015
Grécia apenas usufruiu de 10% dos empréstimos da Troika
Extracto da intervenção de Eric Toussaint, da Comissão de Auditoria á Dívida Grega, pedida pelo Parlamento Grego. É questão de um trecho, que vai do mn 29:10 a 30:43, da intervenção completa de Eric Toussaint que pode ser vista na totalidade aqui : https://www.youtube.com/watch?v=x_Y3C...
Resumo da Auditoria á Dívida Grega a ler aqui : http://cadtm.org/Leia-aqui-as-conclus...
Intervenção de María Lúcia Fattorelli, ver tradução na descrição do vídeo : https://www.youtube.com/watch?v=LpY_U...
Cerca de 90% dos empréstimos da Troika, escapam á Auditoria, o Banco Central da Grécia, sob tutela do BCE, recusa fornecer os documentos relativos aos movimentos financeiros da Dívida, ao Parlamento Grego. Mais que evidente, que cerca de 90% dos empréstimos, foram parar nos bolsos dos banqueiros.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Conclusões da auditoria á divida Grega
Eis um relatório sobre a divida Grega, no qual se realça que os empréstimos ao Estado-Grego, en nada beneficiaram os cidadãos gregos, mas sim unicamente a Banca. Portanto, os Bancos devem arcar com a divida, não os cidadãos.
Um pequeno extrato :
"Capítulo 8
A dívida aos credores privados deve ser considerada ilegal porque os bancos privados atuaram de forma irresponsável antes da criação da troika, falhando o respeito pela devida diligência (due dilligence), enquanto alguns credores privados como os hedge funds atuaram também de má fé. Pares das dívidas aos bancos privados e hedge funds são ilegítimas pelas mesmas razões pelas quais são ilegais; por outro lado, os bancos gregos foram recapitalizados pelos contribuintes de forma ilegítima. As dívidas aos bancos privados e aos hedge funds são odiosas, já que os maiores credores privados tinham consciência de que estas dívidas não foram contraídas em nome do interesse da população, mas para seu benefício próprio. "
Ler a totalidade do artigo no CADTM
Um pequeno extrato :
"Capítulo 8
A dívida aos credores privados deve ser considerada ilegal porque os bancos privados atuaram de forma irresponsável antes da criação da troika, falhando o respeito pela devida diligência (due dilligence), enquanto alguns credores privados como os hedge funds atuaram também de má fé. Pares das dívidas aos bancos privados e hedge funds são ilegítimas pelas mesmas razões pelas quais são ilegais; por outro lado, os bancos gregos foram recapitalizados pelos contribuintes de forma ilegítima. As dívidas aos bancos privados e aos hedge funds são odiosas, já que os maiores credores privados tinham consciência de que estas dívidas não foram contraídas em nome do interesse da população, mas para seu benefício próprio. "
Ler a totalidade do artigo no CADTM
domingo, 7 de junho de 2015
[ALERTA] A caminho de um imposto sobre o dinheiro líquido ?
Um imposto sobre a moeda física está a chegar!
Para fazer frente á crise de 2008, a FED e outros Bancos Centrais, escolheram uma opção bombástica. Imprimiram mais de 11 triliões de dollars e mantêm as taxas de juros próximas de zero desde á 6 anos para cá.
Todos esses esforços se concentraram sobre um objectivo : reduzir a atractividade do dinheiro líquido e impulsionar os investidores e depositantes para os activos a risco.
Mas essas políticas falharam em relançar o crescimento.
Em vez de admitirem o erro, os Bancos Centrais estão agora a tomar medidas extremas para destruir o dinheiro líquido e assim atirar contra-vontade os investidores para os activos a risco.
As coisa complicaram-se mais no mês de Junho de 2014, quando a BCE decidiu passar as taxas de juro abaixo de 0%, obrigando assim os depositantes a pagar para conservar o seu capital sob a forma de divisas.
Desde então, a Dinamarca, a Suíça e outros seguiram o seu exemplo.
Os Bancos também seguiram o mesmo exemplo. Julius Baer, da JP Morgan, e outras firmas, começaram a impôr taxas de depósito aos seus maiores clientes. JP Morgan declarou abertamente querer perder 100 mil milhões de dollars em depósitos.
E isto é só o princípio. Há cada vez mais indicadores de que os Bancos Centrais tentam impôr uma taxa aos clientes que não gastam seu dinheiro depositado...ver mesmo fazer desaparecer todo dinheiro líquido.
Mas vejamos o que há mais de interessante nisto tudo. Tudo indica que assistimos a uma guerra de inovação no que diz respeito ás taxas de juro. Nós conseguimos assistir a uma crescente criatividade da parte da Banca, para "empurrar" ainda mais as taxas de juro em território negativo, indo mesmo ao completo abandono de dinheiro líquido e sua depreciação.
Enquanto que a moeda física será disponível como alternativa aos consumidores que desejem retirar dinheiro líquido de seus depósitos, a capacidade da Banca para influenciar os juros será limitada.
http://www.bloomberg.com/news/articles/2015-04-23/negative-interest-rates-may-spark-existential-crisis-for-cash
Como diz um velho ditado : "podemos levar o cavalo até á água, mas não o podemos obrigar a beber". A FED e outros Bancos Centrais, levaram o cavalo á água. Mas o cavalo não quis beber. Agora pensam em forçar a cabeça do cavalo dentro da água até que beba.
Um imposto sobre o dinheiro líquido é muito próximo. A FED e outros, farão todo o possível para desaparecer com os depósitos. Na Europa, mais de 40% das Obrigações Soberanas (divida soberana) estão negativas em termos nominais ( os investidores pagam para as conservar).
E isto é só o principio.
Pode parecer uma loucura, mas eu posso assegurar que a Banca toma este tipo de proposições muito a sério. O QE ( quantitative easing) parecia muito insensato em 1999, mas depois atravessamos três episódios, num total de mais de 3 triliões de dollars.
Em 1999, ninguém pensava que a FED pudesse imprimir em toda a impunidade 3 triliões de dollars de QE. Foi portanto o que se passou. E visto que esses programas não conseguiram relançar o consumo nem o crescimento económico, não seria surpreendente ver a FED tomar medidas mais radicais nos próximos meses.
FONTE : 24hgold.com
Mais informações aqui
Para fazer frente á crise de 2008, a FED e outros Bancos Centrais, escolheram uma opção bombástica. Imprimiram mais de 11 triliões de dollars e mantêm as taxas de juros próximas de zero desde á 6 anos para cá.
Todos esses esforços se concentraram sobre um objectivo : reduzir a atractividade do dinheiro líquido e impulsionar os investidores e depositantes para os activos a risco.
Mas essas políticas falharam em relançar o crescimento.
Em vez de admitirem o erro, os Bancos Centrais estão agora a tomar medidas extremas para destruir o dinheiro líquido e assim atirar contra-vontade os investidores para os activos a risco.
As coisa complicaram-se mais no mês de Junho de 2014, quando a BCE decidiu passar as taxas de juro abaixo de 0%, obrigando assim os depositantes a pagar para conservar o seu capital sob a forma de divisas.
Desde então, a Dinamarca, a Suíça e outros seguiram o seu exemplo.
Os Bancos também seguiram o mesmo exemplo. Julius Baer, da JP Morgan, e outras firmas, começaram a impôr taxas de depósito aos seus maiores clientes. JP Morgan declarou abertamente querer perder 100 mil milhões de dollars em depósitos.
E isto é só o princípio. Há cada vez mais indicadores de que os Bancos Centrais tentam impôr uma taxa aos clientes que não gastam seu dinheiro depositado...ver mesmo fazer desaparecer todo dinheiro líquido.
Mas vejamos o que há mais de interessante nisto tudo. Tudo indica que assistimos a uma guerra de inovação no que diz respeito ás taxas de juro. Nós conseguimos assistir a uma crescente criatividade da parte da Banca, para "empurrar" ainda mais as taxas de juro em território negativo, indo mesmo ao completo abandono de dinheiro líquido e sua depreciação.
Enquanto que a moeda física será disponível como alternativa aos consumidores que desejem retirar dinheiro líquido de seus depósitos, a capacidade da Banca para influenciar os juros será limitada.
http://www.bloomberg.com/news/articles/2015-04-23/negative-interest-rates-may-spark-existential-crisis-for-cash
Como diz um velho ditado : "podemos levar o cavalo até á água, mas não o podemos obrigar a beber". A FED e outros Bancos Centrais, levaram o cavalo á água. Mas o cavalo não quis beber. Agora pensam em forçar a cabeça do cavalo dentro da água até que beba.
Um imposto sobre o dinheiro líquido é muito próximo. A FED e outros, farão todo o possível para desaparecer com os depósitos. Na Europa, mais de 40% das Obrigações Soberanas (divida soberana) estão negativas em termos nominais ( os investidores pagam para as conservar).
E isto é só o principio.
Pode parecer uma loucura, mas eu posso assegurar que a Banca toma este tipo de proposições muito a sério. O QE ( quantitative easing) parecia muito insensato em 1999, mas depois atravessamos três episódios, num total de mais de 3 triliões de dollars.
Em 1999, ninguém pensava que a FED pudesse imprimir em toda a impunidade 3 triliões de dollars de QE. Foi portanto o que se passou. E visto que esses programas não conseguiram relançar o consumo nem o crescimento económico, não seria surpreendente ver a FED tomar medidas mais radicais nos próximos meses.
FONTE : 24hgold.com
Mais informações aqui
sábado, 11 de abril de 2015
A Islândia quer revolucionar o sistema monetário
O Governo planeia tirar aos Bancos o poder de criar moeda.
No contexto da crise financeira de 2008, a Islândia tornou-se conhecida por se recusar a proteger os credores dos bancos. Para evitar um novo colapso, o partido Progressista, actualmente no poder, quer concentrar a criação de moeda no banco central daquele país, adianta o portal Business Insider.
Atualmente, o banco central é responsável apenas pela criação das notas e moedas da Islândia. A responsabilidade sobre o crédito, outra forma de criar nova moeda, é dos bancos comerciais. O partido Progressista pretende que o regulador passe a concentrar os dois papéis.
Ainda no âmbito desta proposta, os bancos continuariam a ser as entidades responsáveis pelas contas e pelos pagamentos, mantendo o papel de intermediários entre credores e devedores. "Fundamentalmente, o poder de criar dinheiro é mantido separado do poder de decidir como esse novo dinheiro é usado", sustenta o autor da proposta, Frosti Sigurjonsson.
Sigurjonsson refere que até agora o banco central não tem sido capaz de controlar o crédito excessivo, promovendo uma subida da inflação e assumindo riscos exagerados e de especulação. Uma ameaça que pode resultar no colapso do sistema financeiro e levar a custos do Estado com resgates do sistema.
Desde 1875, o país viveu "mais de 20 momentos de diferentes tipos de crise financeira. Seis destes momentos ocorreram, em média, a cada 15 anos", revela um estudo de quatro banqueiros, citado pela mesma fonte. O responsável pelo estudo, Frosti Sigurjonsson, quer que se evite uma repetição deste cenário.
FONTE: 1
FONTE: 2
O privilégio dado aos Bancos de criar a massa monetária, tem sido a principal razão do endividamento dos Países. Falamos do chamado "crédito" privado, o refinanciamento Estatal nos mercados financeiros, que no nosso caso, mesmo a taxas de juro baixas, não compensa, nem ganhamos nada com isso, apenas nos endividamos cada vez mais, isto porque a taxa de crescimento, continua a ser inferior ás taxas de juro. Significa isto, que actualmente, estamos numa impossibilidade matemática de liquidar nossa dívida. Estamos simplesmente, doa a quem doer, escravos da Banca.
No contexto da crise financeira de 2008, a Islândia tornou-se conhecida por se recusar a proteger os credores dos bancos. Para evitar um novo colapso, o partido Progressista, actualmente no poder, quer concentrar a criação de moeda no banco central daquele país, adianta o portal Business Insider.
Atualmente, o banco central é responsável apenas pela criação das notas e moedas da Islândia. A responsabilidade sobre o crédito, outra forma de criar nova moeda, é dos bancos comerciais. O partido Progressista pretende que o regulador passe a concentrar os dois papéis.
Ainda no âmbito desta proposta, os bancos continuariam a ser as entidades responsáveis pelas contas e pelos pagamentos, mantendo o papel de intermediários entre credores e devedores. "Fundamentalmente, o poder de criar dinheiro é mantido separado do poder de decidir como esse novo dinheiro é usado", sustenta o autor da proposta, Frosti Sigurjonsson.
Sigurjonsson refere que até agora o banco central não tem sido capaz de controlar o crédito excessivo, promovendo uma subida da inflação e assumindo riscos exagerados e de especulação. Uma ameaça que pode resultar no colapso do sistema financeiro e levar a custos do Estado com resgates do sistema.
Desde 1875, o país viveu "mais de 20 momentos de diferentes tipos de crise financeira. Seis destes momentos ocorreram, em média, a cada 15 anos", revela um estudo de quatro banqueiros, citado pela mesma fonte. O responsável pelo estudo, Frosti Sigurjonsson, quer que se evite uma repetição deste cenário.
FONTE: 1
FONTE: 2
O privilégio dado aos Bancos de criar a massa monetária, tem sido a principal razão do endividamento dos Países. Falamos do chamado "crédito" privado, o refinanciamento Estatal nos mercados financeiros, que no nosso caso, mesmo a taxas de juro baixas, não compensa, nem ganhamos nada com isso, apenas nos endividamos cada vez mais, isto porque a taxa de crescimento, continua a ser inferior ás taxas de juro. Significa isto, que actualmente, estamos numa impossibilidade matemática de liquidar nossa dívida. Estamos simplesmente, doa a quem doer, escravos da Banca.
domingo, 1 de março de 2015
Michael Snyder: A escravidão pela dívida
« A maioria dos americanos passam as suas vidas a trabalhar para os outros, a pagar suas dívidas aos outros e a executar tarefas confiadas por outros. Nós não gostamos de considerar-nos como servos ou escravos, mas isto é o que a grande maioria de nós é. O mecanismo da nossa alienação tornou-se apenas mais complexo com o tempo. O mutuário torna-se o servo do seu credor, e a maioria de nós entra muito cedo na espiral da dívida no início da vida adulta. Na verdade, aqueles que fazem estudos superiores, são susceptíveis de entrar na vida activa com uma quantidade fenomenal de dívida. E isso é apenas o início do processo de acumulação de dívida. »
FONTE
FONTE
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Mikhaïl L. Khazine: o PIB vai cair em todo o mundo
Entrevista do 28 Janeiro de 2015 ao jornal Svobodnaia Pressa.
Khazine : Aqueles que não vêem a catástrofe a vir, não a podem impedir.
Os economistas prometem ás grandes potências choques mais terríveis do que o de 1929. Mas o essencial é : o que devemos esperar,nós ? Pois as trafulhices de Washington afectam a cada um de nós.
Durante o período que Obama dirigiu os EUA, a divida do pais subiu para 70%, para atingir a extraordinária quantidade de 18 triliões de dollars. O problema fundamental está nas colossais despesas em benefício de todas as guerras travadas pelos Estados Unidos na nossa parte do mundo. A parte leão da dívida nas contas do Estado americano situa-se nos programas sociais. O país gasta o seu dinheiro para “alimentar” a população afim de evitar qualquer terramoto social. Nos Estados-Unidos, há um terrível abismo entre as receitas e despesas das famílias. As pessoas gastam mais do que ganham. Vivem a crédito. E até agora tem existido um mecanismo permitindo às pessoas realizar despesas para além das sua possibilidades. Isso não punha qualquer problema. Em si mesmo, a divida não joga um role essencial. O que é essencial, é assegurar o serviço. O país que imprime a moeda de reserva mundial não tem problema em matéria de serviço da dívida. O seu problema é diferente. Isto é, dar às pessoas a oportunidade de trabalhar para ganhar o que eles vão dispensar. Mas se, em permanência, as pessoas gastam mais do que ganham, então o sistema económico entra em colapso. Com efeito, em 2008 começou a desmoronar o sistema que fornecia aos cidadãos uma renda adicional, e em 2014, esse sistema deixou de funcionar completamente.
Khazine : Aqueles que não vêem a catástrofe a vir, não a podem impedir.
Os economistas prometem ás grandes potências choques mais terríveis do que o de 1929. Mas o essencial é : o que devemos esperar,nós ? Pois as trafulhices de Washington afectam a cada um de nós.
Durante o período que Obama dirigiu os EUA, a divida do pais subiu para 70%, para atingir a extraordinária quantidade de 18 triliões de dollars. O problema fundamental está nas colossais despesas em benefício de todas as guerras travadas pelos Estados Unidos na nossa parte do mundo. A parte leão da dívida nas contas do Estado americano situa-se nos programas sociais. O país gasta o seu dinheiro para “alimentar” a população afim de evitar qualquer terramoto social. Nos Estados-Unidos, há um terrível abismo entre as receitas e despesas das famílias. As pessoas gastam mais do que ganham. Vivem a crédito. E até agora tem existido um mecanismo permitindo às pessoas realizar despesas para além das sua possibilidades. Isso não punha qualquer problema. Em si mesmo, a divida não joga um role essencial. O que é essencial, é assegurar o serviço. O país que imprime a moeda de reserva mundial não tem problema em matéria de serviço da dívida. O seu problema é diferente. Isto é, dar às pessoas a oportunidade de trabalhar para ganhar o que eles vão dispensar. Mas se, em permanência, as pessoas gastam mais do que ganham, então o sistema económico entra em colapso. Com efeito, em 2008 começou a desmoronar o sistema que fornecia aos cidadãos uma renda adicional, e em 2014, esse sistema deixou de funcionar completamente.
Em termos simples,
isso significa que o Estado imprime dinheiro e distribui-o aos
cidadãos através do sistema bancário, sob a forma de créditos, ou
ajudas monetárias diversas tendo as pessoas uma oportunidade de
obter algum dinheiro extra para gastar. E é no contexto de um
excesso de demanda que tem sobrevivido a economia americana. Hoje,
esta opção desapareceu. A única via é a diminuição das
despesas. Os cidadãos dos Estados Unidos devem reduzir as suas
despesas. Eles devem trabalhar muito mais e gastar menos. Se os
cidadãos reduzem suas despesas, isso significa que eles deixam de
pagar, de transferir o dinheiro em troca de bens e serviços dentro
dos Estados Unidos. Isso implica uma queda do PIB dos
Estados-Unidos... A questão fundamental é saber onde se situa o
ponto de equilíbrio entre as receitas e despesas das famílias, é
tudo. Segundo as nossas estimativas, o equilíbrio se situa sob o
actual volume de gastos, avaliado em 7,5 triliões de dollars. Isso
equivale a uma queda do PIB dos Estados Unidos, a um pouco mais de
50%.
No resto do mundo,
vai haver uma queda semelhante, provavelmente de reduzida extensão.
A estimativa de queda do PIB é de 55-60% para os Estados Unidos,
cerca de 50% na Europa e cerca de 35% no resto do mundo.
Estamos às portas
de um período muito interessante. É claro, os Estados recusam
absolutamente falar e discutir sobre este assunto tabou. Tudo é
feito como se aqueles que não vêm o desastre a chegar devessem ser
poupados. No entanto, informalmente, se fala muito mais. Nós
viveremos grandes dificuldades. E é impossível prever os eventos
específicos, mas o cenário já é visível.
Fonte Tradução: Gang da Ervilha
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