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quinta-feira, 2 de julho de 2015

O Ataque da Europa à Democracia Grega (Joseph Stiglitz)

Um artigo datado do 29/06/2015 do Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, em que critica a União Europeia, tudo em defendendo a causa Grega.

« A União Europeia, é a antítese da Democracia » Joseph Stiglitz, Prémio Nobel de Economia.

O crescendo de quezílias e acrimónia na Europa pode parecer a quem está de fora o resultado inevitável do amargo final de jogo que decorre entre a Grécia e os seus credores. Com efeito, os líderes Europeus estão a começar finalmente a revelar a verdadeira natureza da disputa existente sobre a dívida, e a resposta não é agradável: tem muito mais a ver com poder e democracia do que com dinheiro e economia.

Evidentemente, a natureza económica subjacente ao programa que a “troika” (a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu, e o Fundo Monetário Internacional) impôs à Grécia há cinco anos atrás foi terrível, tendo provocado um decréscimo de 25% no PIB do país. Não consigo pensar numa depressão, em altura alguma, que tenha sido tão deliberada e tenha tido consequências tão catastróficas. A taxa de desemprego juvenil na Grécia, por exemplo, é hoje superior a 60%.

É surpreendente que a troika tenha recusado aceitar responsabilidades por qualquer uma destas situações, ou admitir a grande medida em que falharam as suas previsões e modelos. Mas o que ainda é mais surpreendente é que os líderes da Europa nem sequer aprenderam. A troika ainda exige que a Grécia atinja um excedente orçamental primário (excluindo os pagamentos de juros) de 3,5% do PIB até 2018.

Economistas em todo o mundo já condenaram essa meta como punitiva, porque tentar atingi-la levará inevitavelmente a uma recessão ainda maior. Na verdade, mesmo que a dívida Grega seja reestruturada para além de tudo o que é imaginável, o país permanecerá em depressão se os eleitores se comprometerem com a meta da troika, no referendo-relâmpago que decorrerá este fim de semana.

Quanto a transformar um grande défice primário num excedente, poucos países conseguiram algo semelhante ao que os Gregos alcançaram nos últimos cinco anos. E, embora o custo em termos de sofrimento humano tenha sido extremamente elevado, as recentes propostas do governo Grego foram bastante alteradas no sentido de cumprir as exigências dos seus credores.

Devemos ser claros: quase nada da enorme quantidade de dinheiro emprestado à Grécia acabou por lá chegar. Desapareceu para pagar aos credores do sector privado, incluindo bancos Alemães e Franceses. A Grécia só conseguiu uma ninharia, mas pagou um elevado preço para preservar os sistemas bancários destes países. O FMI e outros credores “oficiais” não necessitam do dinheiro que está a ser pedido. Numa situação, o dinheiro recebido seria muito provavelmente apenas emprestado de novo à Grécia.

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terça-feira, 30 de junho de 2015

Economistas e Profissionais a favor da Dracma ( Jacques Sapir )

Economistas e Profissionais a favor da Dracma ( Jacques Sapir, 21/06/2015 )

Uma vez não é costume, publico aqui uma chamada de atenção, de Economistas, Universitários e Profissionais, que se pronunciam a favor de um retorno da Grécia á moeda Nacional.

Depois de 6 anos de sacrifícios humanos "pedidos" á população, a dívida Grega aumentou e representa hoje 180% do PIB (no principio da crise, ela era de 120%), e é evidente que ela não é viável. Este desastre é devido ao plano imposto pela Troika que resulta num completo falhanço, pois fez cair o PIB, entre 2008 e 2015, de 26%. Jamais um País havia subido um desastre de uma tal amplitude em tempo de Paz: o desemprego oficial embarca 27% da população activa, a excessiva austeridade, ideia fixa dos Dirigentes da UE e que visa directamente a estabilidade do Euro, destruiu a economia e ao mesmo tempo mergulhou toda a Europa numa recessão permanente e num equilíbrio de emprego-precário. A Grécia, é frustrante, mas é utilizada como animal de laboratório. Estas linhas são escritas a um momento em que as negociações estão em curso, entre o Governo Grego do Syriza e os credores.

A obsessão da Troika, que pede medidas ainda mais inumanas sem portanto garantir o reembolso da dívida, intensificando o empobrecimento da população, é absolutamente inaceitável, criminal e contas feitas, sem conteúdo. Por que a  a partir do momento em que as medidas impostas á economia são totalmente ineficazes e que se traduzam por uma baixa contínua do PIB, aumentação do desemprego e a intolerável (nessas condições) desmoronamento das receitas públicas, claro que esse plano arrogante de austeridade asfixiante deveria ser abandonado, sem a menor hesitação. A saber que, apesar dos riscos e complicações inerentes á saída (algo sem precedentes) da zona Euro, ficar não oferece alguma solução. A economia Grega está devastada e é urgente recorrer a um plano de reconstrucção e desenvolvimento.

A implementação de um tal plano não é possível com a liquidez fornecida ao conta-gotas pela BCE. Na prática, jamais uma economia consegui desenvolver-se no passado, sem liquidez confortável e sem uma inflação sob controle. Por consequência, só um retorno á moeda Nacional poderia, com certas condições, assegurar á economia Grega devastada, a sua reconstrucção e um desenvolvimento rápido, necessário para permitir o reembolso desta parte da dívida que não é odiosa nem vergonhosa.

FONTE : Blog de Jacques Sapir

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Grécia : em defesa da Democracia ( Jacques Sapir)

Alguns trechos de um artigo de Jacques Sapir sobre o caso Grego...


 Grécia : em defesa da Democracia ( Jacques Sapir, 29 Junho 2015)

« A decisão de excluir a Grécia de uma reunião qualificada informal, após término, do Eurogrupo no sábado 27 Junho, representa o equivalente de um golpe de força por parte do Presidente do Eurogrupo, Srº Jeroen Dijsselbloem. É questão de um acto estranho que viola tanto o espírito como a letra dos tratados da União Europeia. A falta de reacção dos outros participantes é também grave. Este dia foi um dia negro para a Democracia. Neste domingo, 28 de Junho, as pressões sobre a Grécia recomeçaram. Os dias que se seguem podem ser dias negros para a Democracia na Europa e Grécia. Tem de se analisar a extensão das consequências.

A posição do Ministro Varoufakis

Os argumentos avançados pelo Ministro Varoufakis são dos mais sérios, e ele recebeu o apoio de vários economistas de reputação mundial, como por exemplo Paul Krugman e Joseph Stiglitz, dois Prémios Nobel da Economia.

Sempre é possível contestar os elementos da lógica de Varoufakis, Mas teremos então, de nos situar ao mesmo nível que ele. Força é de constatar que não é o caso com as ditas "proposições" formuladas pelo Eurogrupo. Na realidade, este último, não abordou ma só vez a questão do desenvolvimento económico da Grécia, mas unicamente quais os meios e procedimentos para continuar a extorquir desse País, os pagamentos que ele nem pode fornecer. O Eurogrupo, seguiu uma lógica política e não uma lógica económica. »

Para ler o artigo completo, clicar AQUI

sábado, 27 de junho de 2015

Grécia apenas usufruiu de 10% dos empréstimos da Troika







Extracto da intervenção de Eric Toussaint, da Comissão de Auditoria á Dívida Grega, pedida pelo Parlamento Grego. É questão de um trecho, que vai do mn 29:10 a 30:43, da intervenção completa de Eric Toussaint que pode ser vista na totalidade aqui : https://www.youtube.com/watch?v=x_Y3C...

Resumo da Auditoria á Dívida Grega a ler aqui : http://cadtm.org/Leia-aqui-as-conclus...

Intervenção de María Lúcia Fattorelli, ver tradução na descrição do vídeo : https://www.youtube.com/watch?v=LpY_U...

Cerca de 90% dos empréstimos da Troika, escapam á Auditoria, o Banco Central da Grécia, sob tutela do BCE, recusa fornecer os documentos relativos aos movimentos financeiros da Dívida, ao Parlamento Grego. Mais que evidente, que cerca de 90% dos empréstimos, foram parar nos bolsos dos banqueiros.