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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Grécia na borda do precipicio (Paul Krugman)

Artigo de Paul Krugman, outro Prémio Nobel de Economia, que mais uma vez afirma que a criação do euro foi um erro e deseja que o "não" ganhe no referendo da Grécia.

« É evidente, já há bastante tempo, que a criação do Euro foi um grande equívoco. A Europa nunca teve as condições prévias necessárias para manter uma moeda única que desse certo, e mais que isso, o tipo de união fiscal e bancária que, por exemplo, assegura que quando a bolha imobiliária estoura na Flórida, Washington possa proteger automaticamente a terceira idade de qualquer ameaça sobre sua proteção social e seus depósitos bancários.

Abandonar uma união monetária é, contudo, uma decisão muito mais difícil, e mais assustadora que nunca. Até agora, as economias do continente, quando apresentaram maiores problemas, decidiram dar um passo atrás antes de chegar às margens do abismo. Mas de uma vez, os governos se submeteram às exigências de dura austeridade dos credores, enquanto o Banco Central Europeu agia para conter o pânico dos mercados.

Mas a situação na Grécia alcançou o que parece ser um ponto sem retorno. Os bancos estão fechados temporariamente e o governo impôs controles de capital (limites ao movimento de fundos ao exterior). Parece ser muito provável que o Poder Executivo logo terá que iniciar o pagamento das aposentadorias e pensões, além dos salários do serviço público, o que, na prática, criaria uma moeda paralela. E, na semana que vem, o país vai celebrar um plebiscito sobre a conveniência de aceitar as exigências da troica – as instituições que representam os interesses dos credores –, o que significaria multiplicar as medidas de austeridade.

A Grécia tem que votar no “não” nesse plebiscito, e seu governo deve estar pronto para, se for preciso, abandonar a Zona Euro.

Para entender porque digo isso devemos, primeiro ser conscientes de que a maioria das coisas – não todas, mas a maioria – que ouvimos sobre o desperdício e a irresponsabilidade grega são falsas. Sim, o governo grego estava gastando mais do que podia no final da década passada. Mas, desde então, realizou diversos cortes no gasto público e aumentou a arrecadação fiscal. Os empregos públicos foram reduzidos em mais de 25% e as aposentadorias (que eram, certamente, bastante generosas) foram recortadas drasticamente. Todas as medidas foram mais que suficientes para eliminar o déficit original e transformá-lo num amplo superavit.

Por que isso não ocorreu? Porque a economia grega desabou, muito por causa dessas importantes medidas de austeridade, que afetaram demais a arrecadação.

Esse colapso, por sua vez, teve muito a ver com o euro, que colocou a economia grega numa camisa de força. Em geral, os casos de sucesso em políticas de austeridade – aquelas em que os países conseguiram frear seu déficit fiscal sem cair em depressão económica – trazem consigo uma importante desvalorização monetária, que fazem com que suas exportações sejam mais competitivas. Isso aconteceu, por exemplo, no Canadá, nos Anos 90, e recentemente na Islândia. Mas a Grécia, sem sua própria divisa, não teve essa opção.

Quero dizer com isso que seria conveniente um Grexit – a saída da Grécia da Zona Euro? Não necessariamente. O problema do Grexit sempre foi o risco do caos financeiro, por um sistema bancário bloqueado pelos saques que vieram com o pânico e por um setor privado afetado tanto pelos problemas bancários como pelas incertezas sobre o status legal das dívidas. É por isso que os sucessivos governos gregos aceitaram as exigências de austeridade, e até mesmo o Syriza, a coalizão de esquerda que chegou ao poder, estava disposta a aceitar uma austeridade que já havia sido imposta. Apenas pediu para que se evitasse uma maior dose de austeridade.

Mas a troica fechou as portas para essa opção. É fácil se perder nos detalhes, mas agora, o ponto principal é que os credores ofereceram à Grécia um “pegar ou largar”, uma oferta de aprofundamento das políticas dos últimos cinco anos.

Essa oferta estava e está destinada a ser rejeitada pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras: não pode aceitá-la porque isso significaria jogar fora a razão de ser do seu movimento político. Portanto, suas intenções podem levá-lo a abandonar seu cargo, algo que provavelmente acontecerá, se os eleitores gregos votarem baseados no temor à confrontação com a troica, e decidirem pelo “sim” na semana que vem.

Mas não deveriam fazê-lo, por três razões. A primeira, porque sabemos que a austeridade é cada vez mais dura, e pode levar o país a ficar encurralado economicamente: após cinco anos dessas medidas, a Grécia está numa situação pior que nunca. A segunda, porque praticamente todo o caos que poderia ocorrer num possível Grexit já tem sucedido. Os bancos estão fechados e os controles de capital continuam vigentes, não há como fazer danos muito maiores que esses.

Por último, a adesão ao ultimato da troica levaria ao abandono definitivo de qualquer pretensão de independência da Grécia. Não nos deixemos enganar por aqueles que afirmam que os funcionários da troica são somente técnicos, que explicam aos gregos ignorantes o que devem fazer. Esses supostos tecnocratas são, na verdade, vendedores de fantasias, que omitiram todos os princípios da macroeconomia, e que fracassaram em cada passo dado até aqui. Não é uma questão de análise, é uma questão de poder: o poder dos credores para tirar a economia grega da tomada, que persistirá enquanto a saída da Zona Euro seja considerada impensável.

Portanto, é hora de colocar fim a esse inimaginável. Caso contrário, a Grécia enfrentará as consequências da austeridade infinita e uma depressão da qual não poderá se livrar tão cedo. »

FONTE

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Syriza: o roubo e desmoronamento. Quando a esquerda radical abraça as politicas da direita radical.

Este é um pequeno texto da conclusão de um artigo. Mostra-nos outro ponto de vista sobre o Syriza. Realmente, pergunta-se como é que um Partido que não deseja a austeridade e ao mesmo tempo ficar na Zona Euro ? Sabendo de antemão, que UE e Euro, nada mais significam que "ditadura, submissão" . Falta de tempo, só uma pequena parte foi traduzida, a conclusão.

«« A decisão política do Syriza de "integrar" a todo o preço a UE e a zona Euro, significa que a Grécia continuará de ser um Estado-Vassalo, traindo o seu programa e adoptando políticas extremamente reacionárias, tudo em ditando a sua falsa retórica esquerdista e fingindo "resistir" á Troika. Bem que o Syriza tenha pilhado a Caixa Nacional de Pensões e as Tesourarias Locais, inúmeros esquerdistas enganados por essa Europa e nos Estados-Unidos, continuam a aceitar e de apoiar as decisões do Partido, que qualificam de "compromissos realistas e pragmáticos".

O Syriza afundou a Grécia ainda mais profundamente na hierarquia dominada pela finança Alemã, abandonando o seu poder Soberano de impôr uma moratória sobre a Dívida, de sair da Zona Euro, gerir os recursos financeiros, restabelecer uma moeda Nacional, impôr o controlo de capitais, confiscar os milhões de euros em contas ilícitas no estrangeiro, mobilizar os fundos locais para financiar a retoma económica e reactivar o sector público e privado. Várias vezes, o falso "sector de esquerda" do Syriza, formulou magras "objecções", enquanto a mascarada Tsipras-Varoufakis procediam á última capitulação.

No fim de contas, o Syriza agravou a pobreza e o desemprego, aumentou o controlo estrangeiro da economia, desbastou ainda mais o sector público, facilitou o despedimento de trabalhadores e reduziu as indemnizações de despedimento, tudo isto em aumentando o role das Forças Armadas,  serrando ainda mais as ligações com a NATO e Israel. »»

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Christine Lagarde sobre a Grécia...

Lagarde afirma que a Grécia deve antes de tudo reformar a sua Economia antes de um acordo sobre a reestruturação da dívida Grega, mas o problema, e essa é a razão pela qual o Syriza quitou as negociações, é que nenhum membro da Troika, está inclinado para assinar um compromisso nesse sentido. De boas intenções, está o inferno cheio, quanto ás palavras, o vento leva-as, mas um escrito, uma assinatura, fica. E é esse ponto pelo qual Alexis Tsipras lutou, se bem que infrutífero até ao momento. Pois que é inútil e absurdo, que se conceda um empréstimo para pagar outro empréstimo. Não tem sentido, sobretudo que agora a economia Grega apresenta um excedente, suficientemente saudável, para nem sequer precisar de um cêntimo da Troika. Isto caso os ditadores da UE e companhia se dignem discutir e assinar um compromisso sobre a dívida.

O Ataque da Europa à Democracia Grega (Joseph Stiglitz)

Um artigo datado do 29/06/2015 do Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, em que critica a União Europeia, tudo em defendendo a causa Grega.

« A União Europeia, é a antítese da Democracia » Joseph Stiglitz, Prémio Nobel de Economia.

O crescendo de quezílias e acrimónia na Europa pode parecer a quem está de fora o resultado inevitável do amargo final de jogo que decorre entre a Grécia e os seus credores. Com efeito, os líderes Europeus estão a começar finalmente a revelar a verdadeira natureza da disputa existente sobre a dívida, e a resposta não é agradável: tem muito mais a ver com poder e democracia do que com dinheiro e economia.

Evidentemente, a natureza económica subjacente ao programa que a “troika” (a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu, e o Fundo Monetário Internacional) impôs à Grécia há cinco anos atrás foi terrível, tendo provocado um decréscimo de 25% no PIB do país. Não consigo pensar numa depressão, em altura alguma, que tenha sido tão deliberada e tenha tido consequências tão catastróficas. A taxa de desemprego juvenil na Grécia, por exemplo, é hoje superior a 60%.

É surpreendente que a troika tenha recusado aceitar responsabilidades por qualquer uma destas situações, ou admitir a grande medida em que falharam as suas previsões e modelos. Mas o que ainda é mais surpreendente é que os líderes da Europa nem sequer aprenderam. A troika ainda exige que a Grécia atinja um excedente orçamental primário (excluindo os pagamentos de juros) de 3,5% do PIB até 2018.

Economistas em todo o mundo já condenaram essa meta como punitiva, porque tentar atingi-la levará inevitavelmente a uma recessão ainda maior. Na verdade, mesmo que a dívida Grega seja reestruturada para além de tudo o que é imaginável, o país permanecerá em depressão se os eleitores se comprometerem com a meta da troika, no referendo-relâmpago que decorrerá este fim de semana.

Quanto a transformar um grande défice primário num excedente, poucos países conseguiram algo semelhante ao que os Gregos alcançaram nos últimos cinco anos. E, embora o custo em termos de sofrimento humano tenha sido extremamente elevado, as recentes propostas do governo Grego foram bastante alteradas no sentido de cumprir as exigências dos seus credores.

Devemos ser claros: quase nada da enorme quantidade de dinheiro emprestado à Grécia acabou por lá chegar. Desapareceu para pagar aos credores do sector privado, incluindo bancos Alemães e Franceses. A Grécia só conseguiu uma ninharia, mas pagou um elevado preço para preservar os sistemas bancários destes países. O FMI e outros credores “oficiais” não necessitam do dinheiro que está a ser pedido. Numa situação, o dinheiro recebido seria muito provavelmente apenas emprestado de novo à Grécia.

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