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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Sobre a falsa democracia e a questão do voto.

Muitos clamam aos quatro cantos de Portugal, que se não se votar, não se castigará assim os corruptos que desde o 25 de Abril se mantêm no poder e que portanto todos os abstencionistas e aqueles que votam nulo ou branco, nada mais fazem que ajudar a manter esses corruptos no poder devido á falta de punição que os votos poderiam proporcionar.

Os abstencionistas, nulos e brancos, por seu lado afirmam que se esses corruptos ainda estão no poder, é graças aos votos de quem votou neles, pois jamais poderiam ter acedido ao poder sem essa força de voto.

Os adeptos do voto então argumentam que para punir os corruptos, é necessário depositar a confiança num partido que nunca esteve no poder, pois seria o meio democraticamente mais eficaz para fazer saltar os corruptos da cadeira do poder.

O abstencionista responde então que tais argumentos são inválidos e dá como exemplo mais recente o caso do Syriza, um pequeno partido que nunca estivera antes no poder, que no fim acabou por ser o autor de uma traição sem precedentes na história da "democracia moderna". Sendo assim, o argumento de punir os partidos do poder através do voto num pequeno partido parece ser tão inútil como votar num partido de corruptos.

A verdade é que mesmo que não se deva generalizar tal feito a todos os pequenos partidos, mesmo assim não é seguramente algo que possa garantir a soberana vontade dos cidadãos.

Pessoalmente, estou convencido que este tipo de argumentos e contra-argumentos de uns e outros é apenas o fumo que na realidade esconde o fogo, seja, é apenas o efeito de uma causa. Assim convencido, melhor seria estudar a causa ao invés de seus efeitos, pois certamente aí reside o problema. E nós como cidadãos, passamos nosso tempo em querelas do tipo votas ou não votas que é precisamente o que o sistema deseja e fomenta!

Mas afinal o que é o voto ? "Um acto democrático!", responde a maioria. Sendo que o voto é um acto democrático, então isso significa que vivemos numa "democracia". Mas agora, afinal o que é essa coisa de "democracia" ? É o poder exercido pelo povo! Pois, pois, o poder exercido pelo povo... mas em que parte do mundo o poder é exercido e administrado pelo povo ? Eis aqui a essência do problema, sem deixar de realçar, que talvez a única excepção, pelo menos a mais conhecida, seja o caso da Suíça, em que realmente o povo ainda controla uma boa parte dos destinos da Nação.

Vejamos então se realmente vivemos numa democracia...

Alain Cotta, professor em ciências económicas e membro da Comissão Trilateral, numa entrevista dada a uma rádio, afirma o seguinte : " A oligarquia não me parece ser algo inquietante mas parece-me ao contrário ser o governo natural dos homens em comunidade [...] penso que cada vez mais, efectivamente as 4 categorias de indivíduos que compõem esses 1%, exercem o poder naquilo a que se chama de "democracia", que é uma espécie de ilusão que nos faz prazer, porque nós preferimos dizer todas as manhãs que temos alguns poderes sobre as decisões colectivas e que vivemos em democracia ao invés de uma oligarquia."

Este senhor afirma que vivemos numa ilusão de democracia, pois na realidade o sistema de governo é uma oligarquia. O poder exercido por alguns, para proveito de alguns e segundo a vontade de alguns. O povo assim está fora de qualquer tomada de decisão, para não ficarem descontentes então apenas lhes é dada a opção de voto de X em X anos, voto esse condicionado aos partidos que lhe são propostos para escolha. Daí se dar razão aos abstencionistas, pois suas recusas em votar demonstram claramente o descontentamento destes nas escolhas que lhes são impostas pelo sistema e a intima convicção de que nada mudará vote-se em quem se votar. É uma escolha limitada, e sendo limitada a tal e tal partido, não releva de um acto democrático mas sim de uma imposição e o de fomentar a ilusão de uma escolha democrática.

Longe de ser um sistema perfeito, Churchill dizia que a democracia era o sistema de governo do qual se entendia "ser o menos pior dentre os piores". A realidade é que desde os tempos da antiga Grécia, o sentido até então compreendido por Platão e seguidamente durante mais de 2 mil anos, tinha mudado drasticamente desde então. Daí a famosa frase de Churchill. O professor Francis Dupuis-Déry, analisa bem ao longo dos séculos a definição  da palavra democracia e sua deturpação de sentido a partir da revolução americana e francesa e o feito pouco conhecido através da análise de escritos históricos, de que todos os ditos pais da democracia sem excepção, na realidade não poderiam ser mais antidemocráticos.

Nós cidadãos, devemos então pôr a seguinte questão: poderia seja qual for a forma de democracia, ter tido origem a partir de dirigentes antidemocráticos ?

O humanista Étienne de la Boétie já no séc.16 considerava que existiam três tipos de tiranos, dos quais aquele que é "eleito". Designava então este como o pior dos tiranos.

O professor Etienne Chouard, dá algumas pistas para explicar a impotência do povo face a todo este sistema, tal impotência está em efeito inscrita na Constituição de cada País. Uma frase deste que ficou muito célebre demonstra perfeitamente o caso: "Porque não é aos homens no poder de escrever as regras do poder." Frase de um amplo significado se tivermos em conta de que se é dada a tarefa a um homem no poder de escrever as suas próprias regras de poder tais como leis e constituição, o resultado obtido terá sempre tendência a desfavorecer os cidadãos tudo em favorecendo os homens no poder. Assim infelizmente aconteceu com a Constituição Portuguesa. Como remédio, Chouard preconiza que deve ser o povo a eleger uma Assembleia Constituinte através de uma tiragem á sorte, evitando-se assim influências exteriores de possíveis elites financeiras ou lobbyes, essa Assembleia estaria encarregada de escrever a Constituição e assim gravar na mesma os limites, restrições e controlo ao poder exercido pelos futuros eleitos. Eleitos estes que dirigiriam as instituições do País, num muito curto espaço de tempo, promovendo-se a rotação rápida tentando assim evitar que se agarrassem ao poder e que se crie um ambiente propicio á corrupção e compadrio.

Os especialistas em manipulação mental de massas, os professores Marco Luna e Paolo Cioni, provam que a sociedade é gerida do alto (oligarquia política) e não do baixo (cidadãos), do exterior (oligarquia financeira) e não do interior (oligarquia política). Indo mais longe, sobre a dita "democracia representativa" escrevem o seguinte : "Quando entramos numa sala de voto e votamos num candidato político - é a democracia representativa - esse nome, não fomos nós que o escolhemos, mas sim os secretariados dos partidos que nos sopraram esse nome á orelha, e de facto, uma vez eleitos, serão apenas uma das muitas marionetas ao serviço do poder económico e irão responder apenas a este último, não aos eleitores! Apesar disso, acreditamos que as eleições são a expressão da democracia."

Ainda sobre o voto do eleitor, é dito o seguinte: "As pesquisas em psicologia mostraram que o fundamento mesmo da legitimação do poder político através do voto democrático é um comportamento totalmente irracional, é o produto de factores psíquicos irracionais e subconscientes, e que o sentido jurídico de uma suposta vontade popular não pode ser atribuída á palavra "voto" que através de uma ficção jurídica. As eleições são essencialmente um instrumento de "fazer crer", de ilusão, para criar a opinião legitimada, ou para criar uma falsa percepção popular..."

Muito estes especialistas em manipulação de massas dizem sobre o assunto, obviamente não é possível relatar tudo aqui.

Concluindo, a oligarquia prima em todas as circunstâncias sobre as necessidades dos cidadãos. Tais coisas são evidentemente ocultadas expressamente aos cidadãos pela elite oligárquica que tudo fará para conservar o poder e se beneficiarem assim mutuamente, tudo em esquecendo os cidadãos aos quais se oferece o direito ao voto...e o povo assim está contente. Porque ele mesmo crê viver numa maravilhosa democracia.

Ora se nem sequer vivemos numa democracia, então o que nos legitima a votar ? Esta é a razão pela qual nunca votei, não votarei e nem tampouco faço intenções de saber o que é um boletim de voto. Possível que talvez faça uma excepção ao Paulo Morais, no sentido único de ser um contra-peso á oligarquia, de lhes dificultar a vida, porque apesar de tudo, não acredito que o Paulo Morais possa mudar seja o que for apesar das suas boas intenções e sinceridade.

Numa segunda parte, tentarei brevemente expor as várias soluções ao problema da nossa falsa democracia.

Autor: Gang2 Ervilha

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A grande catástrofe financeira, por Egon von Greyerz

Por: Egon von Greyerz

" A maioria das pessoas ignoram totalmente que 2007-2008 foi o aperitivo do que nós iremos em breve conhecer. Os 60 mil milhões suplementares de crédito e de moeda imprimida desde então, assim que a baixa das taxas de juros a zero, deram ao mundo a impressão de que tudo vai pelo melhor.

Vou ser muito claro: nada vai bem. Oito anos depois do começo da Grande crise financeira, a economia da bolha especulativa estendeu-se até á 2ª maior economia, a China. A China aumentou a sua divida de maneira exponencial; fazendo-a passar de 2 mil milhões dollars a 28 mil milhões desde o começo deste século. Uma grande parte desta dívida serviu a financiar "elefantes brancos" e cidades fantasma. Seria surpreendente que o total das más dívidas da China sejam inferiores a 10 mil milhões dollars logo que isto acabará.

Esta bolha também infectou a maior parte dos mercados emergentes. Com uma aumentação massiva das dívidas, um dollar forte e os preços das matérias primas a descerem, quase todas as economias emergentes estão na borda do precipício. Como Michael Snyder, do Economic Collapse Blog, recentemente remarcou, 23 bolsas mundiais estão actualmente em queda. Dentre essas 23, 22 são de economias emergentes, e a 23ª é a Grécia que, definitivamente, não é uma economia emergente, mas que se agrava no Mediterrâneo. Mas não pensem que esta epidemia afectará só as economias emergentes... Não, esta contagião estende-se para o Oeste e nós veremos brevemente os mercados financeiros caírem, o que causará espanto a muitas pessoas e provocará o pânico na economia mundial. Este outono poderia marcar o principio do fim desta experiência, velha de 100 anos, de manipulação e repressão do sistema financeiro pelos banqueiros e bancos centrais.

 Estou consciente que estas predições são alarmantes e parecem-se com um cenário do Apocalipse. Espero sinceramente estar enganado. Mas infelizmente o risco de que tal se realize, ao menos em parte, é muito grande [...] "

FONTE

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Michael Flynn, ex-chefe da DIA: Washington fez de propósito para nao impedir a emergência do EILL"

Michael Flynn, ex-chefe da DIA: "Washington fez de propósito para não impedir a emergência do EILL"

Este artigo é livremente publicável por quem assim o desejar, não é necessário nenhum link para este blog, apenas pense em indicar a fonte original que consta no fim do artigo.
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O antigo director da Defense Intelligence Agency, Michael Flynn, declarou : «Washington fez de propósito para não impedir a emergência do EILL. [...] Penso que foi uma decisão, uma decisão voluntária.»

Os Estados-Unidos não impediram a emergência de grupos djihadistas anti-governamentais na Síria, que seguidamente degeneraram em Estado-Islâmico. É o que afirma o ex-chefe da Defense Intelligence Agency (DIA), a qual tinha previsto muito precisamente a sua emergência como testemunha um relatório secreto de 2012.

Durante uma entrevista dada a Mehdi Hasan (Al-Jazeera), o general reformado Michael Flynn confirma assim as suspeições que existiam sobre o feito que Washington apoiou a formação de grupos djihadistas recém-criados como força de oposição na Síria.

Flynn explica que o governo dos Estados-Unidos fechou voluntariamente os olhos ás recomendações da sua Agência. «Penso que foi uma decisão, uma decisão voluntária.», diz o ex-chefe da DIA.

O relatório da DIA apresentado em Agosto de 2012 afirma que «os salafistas, a Irmandade Muçulmana e a al-Qaida (al-Qaida no Iraque) foram as principais forças que dirigiram a oposição na Síria» e foram apoiadas pelo «Ocidente, os Países do Golfo e a Turquia.»

O documento divulgado recentemente graças a um pedido da Freedom of Information Act (seja a Lei sobre a Liberdade Informática aos USA) analisa a situação na Síria em 2012 e faz previsões : «Se a situação degenera, o risco existe do estabelecimento de um principado salafista declarado ou não, na zona Este da Síria...e é exactamente o que os poderes que apoiam a oposição desejam, com vista a isolar o regime de Damas.»

O relatório mete em guarda contra as «consequências terríveis». que dariam a possibilidade á al-Qaida de reconquistar as suas posições no Iraque e unificar as forças djihadistas sunitas no Iraque, na Síria e no resto do mundo árabe, contra as minorias muçulmanas que eles consideram como dissidentes.

«O EIL poderia igualmente declarar um Estado Islâmico através da sua união com outras organizações terroristas no Iraque e Síria, o que criaria um grave perigo para a reunificação do Iraque e a protecção do seu território», podia-se ler no relatório da DIA, que tinha previsto perfeitamente a continuação dos eventos.
Na indiferença do Departamento de Estado Americano que apressou-se em qualificar o relatório desclassificado da DIA como «documento pouco pertinente» logo após a sua revelação ao grande público, o amtigo chefe da DIA fez parte da sua plena confiança na fiabilidade desse relatório de 2012.

Logo que o jornalista de al-Jazeera, Mehdi Hasan, perguntou-lhe porque não tinha tentado impedir a transferência de armas a partir dos USA para os extremistas islâmicos, o general já reformado respondeu: « Não gosto de dizer isto, mas não era o meu role, o meu trabalho consistia em assegurar a qualidade de nossas informações.» Note-se que Flynn ocupou igualmente o posto de Director de Inteligência no Joint Special Operations Command (JSOC) durante a perseguição a Oussama Ben Laden.

FONTE

É de realçar aqui uma pequena comparação, o menosprezo pelas minorias (cristãos, yazidis, etc) á mercê dos terroristas apoiados pelos Yankes, e entretanto no lado Ocidental, de maneira mais subtil e maliciosa, passa-se justamente o inverso, as elites corruptas apoiam as minorias (paneleiros, lésbicas,etc) desprezando a maioria. Interessante estas inversões de valores consoante as circunstâncias.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O verdadeiro objectivo da "terapia de choque" na Grécia.

 12,5 milhões de Alemães vivem abaixo do limiar da pobreza. Apesar deste resultado desastroso, Angela Merkel pretende impor o "modelo Alemão" ao mundo inteiro. Michel Collon nalisa o exemplo da Alemanha.

Na verdade, o modelo Alemão não funciona. E é lógico: se se baixa os salários, se multiplica os empregos precários (viu-se mesmo pessoas receberem 1 euro á hora!), enfim se aumenta os benefícios das multinacionais ruinando os trabalhadores, o que lhes resta para comprar ? A quem essas mesmas multinacionais podem elas vender se não não existe poder de compra ? Os únicos beneficiários do modelo Alemão, são os acçionários das multinacionais exportadoras: Siemens, Thyssen, Mercedes, BASF. Os tais 1%.

Apesar desta falência, Merkel e as multinacionais alemãs exercem desde então chantagens odiosas para fazer baixar ainda mais o nível de vida dos trabalhadores gregos. Portanto, este já perderam enormemente: salários -37%, reformas -48%, consumo -33%. E todos os analistas com um pouco de reflexão o dizem: esta "terapia de choque" made in Berlin agravará a crise económica grega e diminuirá a capacidade do país para sair da crise.

Tudo isto, dizem-nos, "para ajudar os Gregos a reembolsar a divida". Falso por três razões:

 A divida é ilegítima, mostrou Eric Toussaint, pesquisador internacional de dividas. Contraída pelos 1% Gregos que são cúmplices dos bancos alemães e internacionais, tal não serviu de proveito aos outros 99%.

A divida grega não é pior que a dos Estados-Unidos que toda a gente louva.

Os que deveriam reembolsar são: o banco americano Goldman Sachs que aldrabou expressamente os números da divida grega, Merkel e Sarkozy que venderam armas inúteis á Grécia em plena crise financeira, os bancos alemães que impuseram taxas de ladrão, Barroso que passava as suas férias com o riquíssimo armador grego Latsis e ao qual a sua Comissão disponibilizou 10 milhões de euros de subsídios, e a lista dos aproveitadores é ainda muito longa...

O verdadeiro objectivo desta terapia de choque não é a de ajudar os Gregos, mas de pô-los de joelhos. Com três objectivos diferentes:

Privatizar para roubar as empresas publicas, seus portos, suas ilhas turísticas. Para tentar resolver a crise, as sociedades alemãs pilham as sociedades estrangeiras.

Transformar a Grécia numa nova Roménia: deserto económico, e portanto um reservatório de mão de obra praticamente gratuita.

Fazer disso um exemplo para amedrontar os outros povos europeus que se revoltem contra esta política injusta. É questão de matar a esperança.

Depois dos Gregos, será a nossa vez (o autor refere-se á França). É tempo de desencadear uma protestação dos cidadãos europeus, para apoiar os gregos.

FONTE