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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Os protocolos de Mayer Rothschild (1773) - 1ª parte

Esta parece ser a génese de todos os ditos "Protocolos talmudistas" que serão constantemente actualizados e postos em dia ao longo dos séculos. Ao que tudo indica, pelo menos do conhecimento público, as últimas actualizações parecem ser os quase desconhecidos "Protocolos de Toronto" e "Projecto Aurora Vermelha", este último, data de á cerca de 30 anos atrás e ao que parece é o seguimento dos ditos "Protocolos de Toronto", que ambos impressionam pela precisão matemática de todos os eventos até ao dia de hoje. Nota-se sobretudo á leitura do "Projecto Aurora Vermelha" que os planos talmudistas estão atrasados, pois pensavam poder implementar a Nova Ordem Mundial no fim do século passado. Creio a título pessoal, que foi a mão do Cristo que baralhou seus planos, pois se pensam com egoísmo poder estar acima das Leis Divinas, o tiro sair-lhes á pela culatra tantas vezes que Deus assim  entenda, pois Ele é Misericordioso e Magnânimo para com o ser humano.

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Nesta 1ª parte serão apresentados os 10 primeiros pontos de um total de 25. A tradução foi efectuada pessoalmente pelo autor do blog a partir do livro de William Guy Carr "Pawns in the game". As notas existentes não constam no livro, mas são complementos acrescentados pelo autor do blog, assinaladas por «Notas do Traductor» ou «NdT».
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Os protocolos de Mayer Rothschild (1773)

Em 1773, Mayer Rothschild, ainda só com 30 anos, convida cerca de vinte homens ricos e influentes a reencontrá-lo em Francfort. O objectivo era de os convencer a reagrupar todas as suas capacidades, eles poderiam assim financiar e controlar o Movimento Revolucionário Mundial, utilizá-lo como "Guia de Acção" e ganhar o controlo absoluto das riquezas, dos recursos naturais e o potencial humano do mundo inteiro.

«Notas do traductor- alguns autores afirmam que em vez de "20 convidados" eles seriam apenas "12 convidados".  Também conhecidos como os "Sábios de Sião". Esta organização viria dar origem aos ditos "Illuminatis" cuja braço se perpetua até hoje através da sociedade secreta "Skull & Bones" segundo o pesquisador Anthony Sutton. Ainda segundo este, todas as outras organizações secretas, tais o CFR, Bilderberg, Trilateral, são em efeito organismos exteriores cujo núcleo central são os Skull & Bones.»

Rothshild lhes revela então como a Revolução Inglesa tinha sido organizada, mas apontou também as falhas e erros que tinham sido cometidos. O período revolucionário tinha sido muito longo e a eliminação dos reaccionários não tinha sido executada com suficiente rapidez e rigor. O reino do terror, pelo qual se deveria realizar rapidamente a opressão das populações não tinha sido dirigido como deveria ser. Apesar de todas essas faltas, o primeiro objectivo da Revolução tinha sido realizado: os Banqueiros que tinham provocado essa revolução controlavam a economia nacional e tinham agravado a dívida nacional, intrigando durante anos á escala internacional, sobretudo para emprestar dinheiro destinado a financiar guerras e rebeliões.

Baseando os seus argumentos na lógica e um raciocínio rigoroso, Mayer Rothshild sublinha que os resultados financeiros obtidos após a Revolução Inglesa não eram nada comparados com os ganhos esperados após uma Revolução em França: o acordo concluído permitiria a unidade no objectivo e realização de tudo o que ele tinha minuciosamente pensado, assim como tudo o que tinha revisto do plano de revolução. O projecto seria apoiado por toda a poderio que poderia representar os recursos disponíveis em comum. O contrato foi assinado, e Mayer Rotschild divulga o seu plano revolucionário. Pelas manipulações astuciosas de suas riquezas, seria possível criar situações económicas tão desastrosas que as populações, pelo desemprego, seriam reduzidas a um estado próximo de carência alimentar. Seria então possível responsabilizar esses desastres ao Rei, á Nobreza, á Igreja, aos Industriais e empregadores, utilizando uma propaganda bem perspicaz. Ter-se ia de remunerar os propagandistas que excitassem os sentimentos de ódio e vingança contra as classes dirigentes, apresentando todos os casos, verdadeiros ou não, como extravagancia, conduta indecente, injusta, opressiva e de persecução. Inventariam assim escândalos para sujar a reputação daqueles que poderiam se opor a seus planos.

Quando da introdução geral e afim de suscitar um acolhimento entusiasta para o complot que ele queria por á prova, Rothschild toma um manuscrito e começa a ler um plano de acção minuciosamente preparado. É este plano que se vai seguir e pelo qual me asseguraram que era uma versão condensada do complot pelo qual os conspiradores esperavam apoderar-se do controlo absoluto e sem partilha das riquezas, dos recursos naturais e do potencial humano do mundo inteiro:

1) O conferencista começa a revelar o complot declarando que, pois que a maioria dos homens tinha uma inclinação para o "Mal" em vez do "Bem", poder-se ia obter melhores resultados, no domínio do governo, pelo uso da violência e do terrorismo e não por discussões académicas. O conferencista em seguida parte do raciocínio que ao começo, a sociedade humana tinha sido submetida á força brutal e cega que depois viria a ser a LEI. Pretendia que a LEI não passava de Força sob a forma de máscara e concluiu que "pelas leis da natureza, o direito reside na força".

2) Ele sublinha que a liberdade política era uma ideia e não um feito e declara que afim de usurpar o poder político, tudo o que era necessário executar, era pregar o Liberalismo de maneira a que o eleitorado em busca de uma "ideia" acorde alguns de seus poderes e prerrogativas que os conjurados anulariam em proveito próprio.

3) O conferencista assegura que o poder do Ouro tinha caducado e usurpado a dos dirigentes liberais (1773). Ele recorda aos seus auditores que houve uma época onde a Fé reinava mas declara que uma vez a Fé substituída pela Liberdade, o povo não saberia como utilizá-la com moderação. Pretendendo que por causa, seria lógico impor a realização de uma ideia de Liberdade que generalizaria a "Luta de Classes". Recordando  que não era importante para o sucesso do Plano que os governos estabelecidos fossem destruídos por inimigos interiores ou exteriores, pois o vencedor deveria por necessidade assegurar-se do apoio do "Capital", que " está plenamente nas nossas mãos".

«Nota do traductor - note-se aqui a ideia da "Luta de Classes" desenvolvida posteriormente por Karl Marx»

4) Pretendia que a utilização de um só ou todos estes meios para atingir o objectivo final era justificado: o homem político que governa segundo o código moral não faz prova de habilidade, e mostra-se vulnerável, pois está numa posição instável no trono. "Aqueles que desejem tomar o poder devem ter recurso á astúcia e á duplicidade porque as grandes qualidades nacionais como a sinceridade e a honestidade são vícios na política".

5) Ele assegura: "Nosso direito reside na força. A palavra Direito é um conceito abstracto que nada prova: meti ao ponto um novo Direito...aquele de atacar pelo Direito do mais forte e de desordenar todas as forças da ordem e regulamentação, aquele de reconstruir todas as instituições existentes e ser o Senhor de todos aqueles: todos os que nos abandonarem voluntariamente seus Direitos e poderes pelo puro Liberalismo".

6) Em seguida adverte seus auditores nestes termos: "O poder de nossos meios deve ficar invisível até ao momento que tenha adquirido força suficiente para que nenhuma astúcia ou força o possa destruir". Declara então que todo o desvio da "Linha" do plano estratégico que dava a conhecer arriscaria naufragar o TRABALHO DE TANTOS SÉCULOS.

«Nota do Traductor - parece aqui que algo já existia bem anteriormente, aqui pensa-se que os talmudistas se refiram ao combate desde há 2000 mil anos contra o Cristianismo. Um autor no entanto evoca organizações anteriores no seu livro "Under the Sign of the Scorpion p.22" e que Mayer nada mais fez que reactivar os "Iluminati" no seu tempo, organização que existira anteriormente no tempo dos Marranos e Conversos, então denominada os "Alumbrados" - "Iluminados".

7) Ele recomenda em seguida a utilização da "Psicologia de massa" para obter o controlo das populações. Partiu do raciocínio que a "força" das massas é cega, sem sentido, sem razão e sempre á mercê de uma sugestão vinda de qualquer partido. "Só um dirigente totalitário poderia dirigir eficazmente uma população porque sem autoridade absoluta a civilização não pode existir: ela é produzida não pelas massas mas pelo seu guia, seja ele qual for". Previu que "no momento em que as populações adquirissem a inevitável Liberdade, rapidamente se daria a anarquia".

«Nota do traductor- é aconselhável a leitura do livro "Propaganda" do autor  Edward Bernays de 1928 para bem compreender a manipulação de massa. Outros livros mais actuais desenvolvem o assunto mais meticulosamente sob o prisma da psicologia humana, tais como "Neuroschiavi" existente em versão italiana e francesa.»

8) Recomenda o emprego do álcool, da droga, da corrupção moral e toda a espécie de vicio que seus agentes deveriam fomentar para corromper a moral á juventude de todas as nações. Aconselha o treinamento de agentes especiais para certas funções ou empregos: tutores, lacaios, governantes, empregados. As mulheres da organização frequentariam os locais de distracção habituais dos Goyim. "Quanto a estes últimos, conto sobre as ditas Senhoras da sociedade que voluntariamente sejam elementos da corrupção e da luxúria. Nós não devemos dirigir nosso olhar á corrupção, ao engano, á traição tanto que elas sirvam á execução de nossos objectivos".

9) Abordando a política afirma que eles tinham o Direito de conquistar a propriedade por todos os meios e sem hesitação através de uma conquista pacífica, nosso Estado tem o direito de substituir os horrores da guerra, as sentenças de morte menos perceptíveis e mais satisfeitas que são necessárias á conservação do Terror necessário para obter das pessoas uma submissão cega.

10) Sobre a utilização de slogans, ele diz: "Em tempos agora revolucionários, nós fomos os primeiros a inculcar ás massas os princípios de "Liberdade" de "Igualdade" e de "Fraternidade"...palavras repetidas até hoje pelos estúpidos papagaios; palavras que os pretensos conselheiros dos Goyim não podem representar-se na sua abstracção e não podem perceber a contradição no seu significado e sua correlação". Ele lembra as palavras que se devem repetir ás orelhas das "legiões que portam nossos ideais com entusiasmo". Parte então do raciocínio que não existe lugar na natureza para a "Igualdade", a "Liberdade" ou a "Fraternidade" e declara: "Nós estabelecemos a aristocracia do Dinheiro sobre as ruínas da aristocracia natural e genealógica dos Goyim...A essência desta aristocracia, é a Riqueza que depende de nós."

«Nota do traductor- muito interessante tomar em consideração os ideais da Répública Francesa "Liberdade, Igualdade, Fraternidade", Guy Carr desenvolve bem os meandros da conspiração contra o então Reino de França - a Filha da Igreja- a então massiva propaganda panfletária que visou a manipular  a vontade do povo para a revolução de origem maçónica financiada na obscuridade pelos Illuminati.»

Continuação na 2ª parte

sábado, 5 de setembro de 2015

A tragédia dos "Wolfskinder" na Alemanha do após-guerra

O termo alemão "Wolfskinder" -literalmente "criança-lobo", ou "pequeno lobisomem"- designa os órfãos de guerra alemães que, após a capitulação do Terceiro Reich, foram deixados a eles mesmos e que, em busca de comida fora das fronteiras alemãs, erraram em países estrangeiros, sobretudo na Polónia, na Lituânia e União-Soviética (na zona da Prússia Oriental anexada pela URSS). Seu número se eleva a vários milhares de crianças e sua sorte quase sempre horrível. Muitos dos  "Wolfskinder", as "crianças-lobo" morreram de fome, foram assassinados, violados, maltratados ou explorados como escravos. Algumas centenas dentre eles foram recolhidos por famílias lituanas (quase sempre sem filhos), sendo depois adoptados. Eles perderam assim suas identidades alemãs. Depois da famosa "Wende", a "viragem", quer dizer após a queda da URSS e do Muro de Berlin, as autoridades alemãs oficiais mostraram pela primeira vez interesse por essas "crianças-lobo" que entretanto já eram quarentões ou quinquagenários. Os médias também lhes consagraram sua atenção.

A pedido do canal de televisão ZDF, a jornalista Ingeborg Jacobs realizou uma série de três documentários, intitulado "Kinder der Flucht" (Crianças do Êxodo). Este documentário foi difundido em 2006 e suscitou enorme interesse. A terrível sorte dos "Wolfskinder" suscitou uma emoção geral em todo o país. No seu documentário, a jornalista e realizadora Ingeborg Jacobs, retrata um o caso terrível de Liesabeth Otto, que tinha 7 anos em 1945. Mas Ingeborg Jacobs não pôde explorar toda a documentação que ela tinha encontrado para a sua reportagem; decidiu então publicar um livro particular, consagrado unicamente a Liesabeth Otto ("Wolfskind: Die unglaubliche Lebensgeschichte des ostpreussischen Mädchens Liesabeth Otto" - "Criança-Lobo: a incrível biografia de uma pequena criança da Prussia Oriental, Liesabeth Otto", Munique, Propyläen, 2010). Antes de ter publicado a história de Liesabeth Otto, Ingeborg Jacobs já tinha editado em 2008, uma obra sobre as violações em massa de mulheres e crianças alemãs pelos soldados do exército soviético. "Freiwild: Das Schicksal deutscher Frauen 1945" - "Caça á disposição: a sorte das mulheres alemãs em 1945"). Mas vamos parar aqui e recensear o calvário de Liesabeth Otto.

O pai da pequena Liesabeth era um pobre pedreiro, mobilizado pelo exército: ele tinha sido dado como desaparecido nos tormentos da guerra. A mãe da pequena morre de fome e esgotamento em Maio de 1945 na vila de Dantzig, completamente destruída pelas operações militares e bombardeamentos. Com a sua irmã mais velha e o seu irmão, Liesabeth tenta sobreviver. Os dias eram passados a buscar qualquer coisa que se comesse. Comiam tudo: ratos, andorinhas...as folhas de tília ou urtigas eram consideradas como uma guloseima. Por uma miserável côdea de pão, Liesabeth se disputa violentamente com a sua irmã mais velha e foge. Sua irmã teria morrido literalmente de fome em 1947 aos 16 anos de idade. Na Prússia Oriental, centenas e centenas de alemães morrem de fome entre 1945 e 1948. Os soviéticos e polacos recusavam-se a ajudar os alemães fechados nos campos. Apenas confinavam-se a levantá-los c por todos os meios de transporte para enviá-los para o Oeste. A expulsão de quase 5 milhões de pessoas constitui a maior operação de limpeza étnica de todos os tempos.

Escorraçada para as ondas do Memel

Liesabeth introduz-se então como passageira clandestina num comboio de mercadorias que ia em direcção da Lituânia. Durante a longa viagem, ela comia pequenas bolas que tinham uma aparência engraçada e um gosto estranho. Sua fome era muito forte. Ela não sabia, não poderia sabe-lo: era bosta seca. Á chegada, ela caiu inconsciente no caís. Um homem tomou-a por piedade e levou-a para sua casa. A esposa deste bravo homem ocupou-se dela, cortou-lhe os cabelos que estavam cheios de piolhos e deitou ao fogo as suas roupas que cheiravam horrivelmente mal. Durante um tempo, tudo ia bem com Liesabeth. Até ao dia em que crianças da rua apanharam-na e brincaram ao "Pequeno Hitler" com ela. As crianças em geral são quase sempre muito cruéis com os mais fracos e mais jovens dentre eles. Esta crueldade marcou Liesabeth, aos 8 anos de idade. Depois que a canalha encheu-a de murros e pontapés, eles penduraram-na e fugiram. Um passante, que caminhava por ali á sorte, salvou-a por um triz da morte por estrangulação. Mais tarde, ela pensou frequentemente que esse passante não a deveria ter apercebido. Presa no medo, ela não mais teve coragem de ir para casa do homem que a tinha encontrado na gare e da mulher que cuidou dela.

Assim solitária como um lobo, ela errou durante um certo tempo na floresta. Um dia, um camponês bateu-lhe quase até á morte porque ela tinha roubado uma galinha. Com a idade de oito anos, ela foi violada pela primeira vez em seguida fechada dentro de um saco e deitada para as águas do rio Memel. Salvaram-na uma vez mais.

Durante alguns tempos, ela encontrou refúgio perto de um grupo de "Irmãos da Floresta" - os "Irmãos da Floresta" lituanos levavam uma guerra de guerrilha contra o ocupante soviético - para quem ela servia de correio. Liesabeth foi então rebaptisada de "Maritje", foi bem treinada pelos resistentes lituanos e recebia suficientemente comida para se alimentar. Em 1949, teve de abandonar os seus protectores. A situação começava a ficar muito perigosa para os "Irmãos da Floresta". Eles não podiam mais ocupar-se dos "Wolfskinder" alemães que se encontravam no meio deles. Durante vários anos, antigos soldados alemães lutavam lado a lado com os lituanos nesta guerra de compatriotas.

O Goulag

No fim de 1949, os últimos alemães da Prússia Oriental foram deportados para o Oeste. Todos os alemães deviam se ajuntar em locais previamente indicados. Liesabeth queria ir para a Alemanha-Oeste. Pessoas, que lhe queriam bem, dissuadiram-na de empreender essa viagem. Os comboios, diziam eles, não tomariam a direcção da Alemanha mais sim a Sibéria. Liesabeth, que vem de fazer os seus 11 anos, crê neles e prossegue as suas peregrinações.

Para poder comer, ela trabalha duramente nas fazendas. Por vezes, ela rouba. Aos 15 anos, ela é apanhada em flagrante roubo e entregue á milícia soviética.     Os milicianos comunistas não mostraram a mínima piedade e enviaram-na para uma prisão de crianças a 400 km de Moscovo. Lá reinava a lei do mais forte. As brigas e violações eram uma constante. As autoridades da prisão deixavam andar. Liesabeth/Maritje fica grávida e dá o seu bebé a uma detida que acabava de ser libertada. Alguns dias depois, o bebé morreu. Quando ela fez os seus 18 anos, Liesabeth/Maritje foi expedida para o Goulag, num campo para perigosos criminosos de direito comum. Ela foi regularmente  batida e violada. Deu á luz um segundo bebé mas estava muito fraco e morre no campo. Ela só foi libertada em 1965. Tinha então 27 anos.

Esta mulher, endurecida pelas privações, não tinha no entanto futuro. Quem iria empregar uma mulher que cumprira vários anos de prisão ? Finalmente, Liesabeth/Maritje encontra um trabalho no seio de uma "brigada de construcção" que foi mandada para Bakou no Cáucaso. Os homens consideravam que todas as mulheres eram prostitutas. Para escapar a esta suspeição permanente, ela casa-se e dá á luz uma terceira filha, Elena. Mas o casamento não dura muito. Liesabeth leva porrada constantemente do seu marido, que ainda por cima, a trata, como também á sua filha, de "porcos fascistas alemães". Três anos de casamento depois, ela divorcia-se.

Epilogo a Widitten

O feliz desfecho só veio em 1976. Graças a uma pesquisa da Cruz Vermelha alemã, ela pôde tomar contacto com o seu pai e irmão Manfred. Após 31 anos de separação, foi uma emoção muito intensa poder reencontrar seu pai e irmão a Braunschweig. Um interprete estava presente. Liesabeth só pronunciava algumas palavras em alemão com muita dificuldade. Portanto este reencontro não teve só consequências felizes. Manfred não estava lá muito contente de reencontrar a sua irmã. Durante anos, ele tinha vivido crendo que a sua irmã estava morta. E ora que ela reaparece praticamente do nada e que deve dividir a herança paterna com ela. Liesabeth não se sente feliz na Alemanha e parte com a sua filha Elena para a Rússia, onde a insultam frequentemente, ou tratam-na de "Boche" e de "fascista". Na Alemanha, seus vizinhos a designam sob o termo "Die Russin" - "A Russa". Liesabeth/Maritje não tinha mais nacionalidade...

Seu pai no entanto arranja-se de maneira a que ela possa comprar e mobilar uma pequena casa com um cantinho de terra a Widitten na Prússia Oriental. No principio, ela sente a hostilidade dos vizinhos russos. Mãe e filha eram confrontadas a cada dia com vibrantes "Heil Hitler!". Maltratavam os seus animais. Somente depois da queda da URSS que a sua situação melhorou. Em 1994, Liesabeth recebe pela primeira vez a visita de Ingeborg Jacobs.

Autor: Pieter Aerens

Tradução por gang2 ervilha

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Reflexões sobre argumentos contra a abstenção


No seguimento deste artigo, tentei examinar de perto alguns argumentos utilizados contra a abstenção expondo brevemente um ponto de vista pessoal.

1- a abstenção reforça o poder dos partidos corruptos.

- Falso. A abstenção é um forte sinal de descontentamento  e desinteresse da população face ás escolhas que lhes são impostas de maneira tirânica. Quanto mais alta a abstenção, menor é o grau de legitimidade dos partidos políticos e por consequência a desacreditação da falsa democracia representativa.

2- os partidos políticos do poder, pagam a colaboradores para incitar o povo á abstenção

- Falso.  Não teria então sentido a voz uníssona pela qual todos os dirigentes partidários e seus lacaios apelam ao voto, incluindo o próprio Presidente da Répública.

As elites oligárquicas e aristocráticas, vêm com maus olhos o descrédito e queda vertiginosa do próprio sistema que eles mesmo elaboraram em proveito próprio.

Pode-se explicar então de algumas maneiras o porquê do apelo dos aristocratas ao voto:

a) A incerteza. Talvez seja o maior inimigo dos políticos neste caso, deduz-se então que o apelo ao voto seja apenas uma reação pavloniana quando pressionados por essa mesma incerteza. Esta reacção poder-se ia exprimir pelo simples feito de a história nos ensinar que as premicias de uma revolução ou mudança é precedida de um ambiente de descontentamento geral da população. A abstenção é um dos parâmetros pelo qual se pode medir a amplitude desse descontentamento geral que sanciona a incompetência dos políticos.


b) O marketing. Vários estudos indicam que uma boa fatia dos eleitores escolhem em que partido votar momentos antes do voto. O incentivo ao acto eleitoral elevando como estandarte supremo os benefícios do acto democrático, do dever cívico, do pleno exercício da cidadania, é então dirigido especialmente para aqueles que tenham em mente a intenção ou a dúvida de se absterem. Muitos serão assim impulsionados a ir á sala de voto para cumprir seu "dever de cidadão".  neste percurso, sem o saberem, estarão á mercê da propaganda dos médias de informação que vêm como uma oportunidade única de amealhar ainda mais votos para o seu candidato, escolhido pelo sistema e não pelos cidadãos. Repare-se igualmente, que a eficácia desta manipulação só pode ser amplificada momentos antes do voto, razão pela qual é sempre um dia antes da ida ás urnas que todos os políticos choramingam para que os cidadãos não se abstenham.

3- a abstenção é própria aos incultos e iletrados.

- Falso. Pode-se observar um fenómeno interessante, parece que quanto mais alta a taxa de alfabetização maior é a abstenção.

É sobretudo nos grandes conglomerados populacionais que se observam a maioria das abstenções, logo é nas zonas rurais onde o nível de alfabetização é estatisticamente mais baixo que os partidos pescam a maioria dos seus votos. Isto parece contrariar esse argumento de um modo geral.

É preciso mencionar que o nível de cultura (duvido que tal coisa possa ser medida) não é sinónimo de iletrado ou de um baixo nível escolar. Os que mencionam a abstenção como um acto próprio a incultos, parecem ser eles mesmos os mais incultos dentre os incultos usando este tipo de argumento.

Frases famosas, utilizadas contra a abstenção

4- a famosa frase de Platão "O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior"

- Falso. Esta frase é falsamente atribuída a Platão. Pessoalmente desconheço quem a atribuiu ao filósofo e não faço ideia de onde surgiu. Que mesmo se fosse verdade, a dita "democracia representativa" não existia na sua época, portanto nunca se poderia referir a qualquer acto de "eleição" ou "voto", pois no seu tempo os dirigentes eram mandatados através de uma tiragem á sorte. O conceito de "eleição, voto, eleitor" e "representatividade" era totalmente desconhecido a Platão e seus congéneres (aqui não tenho a certeza do que digo, mas segundo as minhas leituras parece ser bem o caso).

A psicologia do voto e da abstenção

O voto pode ser considerado na verdade um acto irracional, acto desprovido de reflexão pois é induzido através de vários factores exteriores que o eleitor não tem o mínimo controlo, em especial a pressão constante dos médias de informação. Sendo assim a abstenção pode então ser considerada todo o seu contrário.

De um ponto de vista psicológico, o votante, sente no seu inconsciente a necessidade de espelhar a relação de dependência infantil. Tal e qual como os parentes lhe proporcionavam todo o bem-estar sem ter de se preocupar com o "depois", assim o eleitor  enquanto apenas olha para o conforto momentâneo, faz acto inconsciente de desejar alguém que se preocupe com o seu futuro, que tome as decisões no seu lugar sem que seja obrigado a se preocupar com o "depois". Os bens materiais apenas lhe proporcionam viver o presente. O futuro é visto como algo indefinido e duvidoso. Em consequência outorgam a responsabilidade e a obrigação aos políticos para enfrentar o desconhecido.

Visto assim, o abstencionista é alguém que raciocina quanto ao futuro e não somente quanto ao presente. O não-desejo de deixar outros dirigir o seu destino logo se exprime psicologicamente por uma rejeição das urnas, uma sorte de corte umbilical e a forte convicção de poder tomar assim que possa as rédeas do seu próprio destino.

É também interessante observar que o fenómeno abstencionista é proporcionalmente crescente quanto mais incerto e obscuro for o futuro. Isso assinala um "acordar" para a realidade. É este "acordar" que tanto medo faz aos políticos.

Uma questão deve ser posta então : Por quanto tempo os políticos corruptos ainda conseguirão manter uma sociedade dormente ?

Autor: Gang2 Ervilha

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

História: crimes de guerra desconhecidos dos Aliados


Um retorno histórico muito desconhecido do que se passou após a 2ª guerra mundial. Conhecia-se as atrocidades largamente mediatizadas cometidas pelos nazis. O que se conhece bem menos, são as atrocidades cometidas vingativamente pelos aliados. Nível horror, não ficam a desejar a ninguém.

"Other Losses", é um livro de investigação de James Bacque sobre a morte massiva de prisioneiros de guerra alemães ás mãos dos franceses e americanos após a 2ª guerra mundial.

O coronel Ernest F. Fisher, ex-historiador da US Army Center for Military History, redigiu um prefácio a Other Losses: " A partir de Abril 1945, as armadas americanas e francesas, como rotina, exterminaram cerca de 1 milhão de homens, a maior parte nos campos de concentração americanos". Depois de várias e extensivas pesquisas privadas nos Estados-Unidos e Alemanha, Merrit P. Drucker enviou um e-mail ao tenente-coronel Max Klaar, reformado do exército alemão e presidente da Verband Deutscher Soldaten (uma associação de antigos combatentes), deplorando as condições de detenção inumanas nos campos de prisioneiros americanos, onde segundo o coronel reformado Ernest F. Fisher do exército americano, cerca de 750.000 Alemães morreram porque se lhes recusava a comida e abrigos disponíveis. Por ordem do comandante americano, o general Dwight Eisenhower, os civis alemães eram proibidos, sob pena de abate, de levar comida aos prisioneiros.

        Um soldado americano vigia os prisioneiros de guerra alemães, 
         num campo perto de Remagen na Alemanha, 25 de Abril 1945.

Editado pela primeira vez em 1989, "Other Losses" rapidamente foi best-seller mundial publicado em 13 países, mas não foi difundido nos Estados-Unidos. Uma nova edição que contém inúmeras novas revelações provenientes dos arquivos do KGB, em Moscovo, foi encomendada por Karl Siegler, filho de um antigo prisioneiro de um campo americano. No 31 de Outubro 2011, a Washington, na ocasião desta reedição, Merrit P. Drucker (major reformado do exército americano) pediu desculpa ao exército alemão pela morte de prisioneiros de guerra alemães. Merrit P. Drucker constituiu uma comissão de 6 pessoas, na Alemanha, Grande-Bretanha, Canadá e Estados-Unidos, para prosseguir outras pesquisas. No site da associação alemã de antigos combatentes, foi posto um questionário que recebeu inúmeras respostas.

Condensado de um comunicado de Ernst Friedel

Prisioneiros alemães num campo americano 
perto de Regensburg na Alemanha, 8 de Maio 1945.


Testemunho de Stephen R.

"Entendi histórias de esse tipo de maneira repetida, no fim dos anos 40. Algumas eram bem piores quanto ao número de mortos. Eu era um super-patriota e respondi a uma criança que aquele que lhe tinha falado era um mentiroso. No domingo, ele entra na minha casa e levou-me, e escutei o discurso de um amigo de sua mãe, que fora guarda de um campo. Ele ficou histérico e disse que 100 victimas eram enterradas a cada dia. Ele fazia parte de uma espécie de esquadrão da morte itinerante. Eles chegavam num campo de prisioneiros de guerra alemães no fim de 1945, levavam prisioneiros selecionados para um campo e vigiavam-nos até que eles sejam mortos de frio."

Prisioneiros alemães num campo perto de Sinzig, 12 Maio 1945


O livro Other Losses é uma longa pesquisa sobre o tratamento dos prisioneiros de guerra alemães nos campos americanos e francês no fim da 2ª guerra mundial.

Ele é seguido de Crimes and Mercies editado alguns anos mais tarde.

Comentários de Eric Blair:

" O livro Crimes and Mercies, concentra-se sobretudo na triste sorte de 60 milhões de civis alemães no após-guerra.. Publicado em Setembro de 1997, Crimes and Mercies tem mais de 300 páginas. Inclui mais de 30 cartas, fotos e ilustrações; um prefácio de um historiador especialista, Alfred De Zayas, e uma introdução do autor; 8 capítulos, com um índex, uma bibliografia, notas e apêndices. Mas é provavelmente na página 131 que nós encontramos o epicentro do livro, e sua tese sísmica; um pequeno quadro de estatísticas, que as descobertas de Bacque podem ser vistas de um piscar de olhos:

Crimes and Mercies, tabela da página 131

Total de mortos

                                                  Mínimo          Máximo

Expulsos(1945-50)                   2.100.000       6.000.000

Prisioneiros(1941-50)               1.500.000        2.000.000

Residentes(1946-50)                5.700.000       5.700.000

Total                                       9.300.000      13.700.000

Visualizar Crimes and Mercies

Os "expulsos" designam os 16 milhões de pessoas de etnia alemã que foram postos fora de seus locais ancestrais na Polónia, Hungria, Checoslováquia, e em toda a Europa no fim da guerra. Este número compreende sobretudos as mulheres, crianças e idosos que apenas com algumas bagagens e submetidos á profunda hostilidade das populações locais, puseram-se em marcha para o que restava da Alemanha.

Os "prisioneiros" designam aqui a população civil alemã que sobreviveu á 2ª guerra mundial.

Segundo Bacque, por causa de essas condições extraordinariamente duras impostas pelos Aliados (os britânicos, soviéticos e americanos), pelo menos 9,3 milhões de Alemães e possivelmente até 13,7 milhões foram mortos até 1950, sem nenhuma necessidade. Ele escreve :

"São mais os alemães mortos do que os que morreram nas batalhas, raids aéreos e campos de concentração durante a guerra. Milhões de pessoas morreram lentamente de fome sob o olhar dos vencedores a cada dia durante anos"

Bebês alemães morrendo de fome num hospital Católico Infantil em Berlin, 
em Outubro de 1947. O bebê á direita está perto da morte.


Acrescenta: " Esses mortos jamais foram honestamente reconhecidos nem pelos Aliados nem pelo governo Alemão". É esta desonestidade, em parte devido ao silêncio, á indiferença, ao ódio anti-alemão, assim que á erudição corrompida, que Bacque quer corrigir com o presente livro. Na sua linha conductora do recito e ao lado deste; existe um grande número de motivos recorrentes. A explosão da inumanidade sem pudor dos dirigentes aliados: Roosevelt, Churchill, Staline e De Gaulle.

Mas é o secretário americano do Tesouro, Henry Morgenthau Jr., que é o grande culpado, aquele que incuba o ovo da serpente: o plano Morghentau, vicioso e vingativo, com o objectivo de desindustrializar e subjugar o povo alemão.

Concebido e posto em obra pela directiva punitiva JCS/1067, o Plano Morghentau destrói a economia alemã e por extensão a frágil economia europeia. Por causa dele, a reconstrução alemã do após-guerra foi reportada para o fim de 1948; nesse momento milhões de civis alemães já tinham morrido. Para contraste, o herói do livro - e a quem o livro é dedicado- é Herbert Hoover.

Foi Hoover que, no espírito da caridade cristã e fiel ás suas raízes de Quaker ( os Quaker formam um movimento religioso protestante, conhecido pela sua devoção á não-violência e á caridade) conduziu um esforço de ajuda alimentar á escala mundial durante o período do após-guerra; salvando por esta acção, afirma Bacque, provavelmente até 80 milhões de vidas; um ponto final de um livro de história cheio de estatísticas desencorajadoras.

Hoover fez assim campanha por um programa de ajuda alimentar para melhorar as condições desesperadas que reinavam na Alemanha, o que, com o Plano Marshal, ajudou a meter fim ao pesadelo Morghentau e salva literalmente milhões de vidas de uma morte lenta.

Bacque critica severamente os médias ocidentais, desde o New York Times até ao último, por esconderem ou negado injustamente a cumplicidade dos aliados em inúmeras atrocidades; pela traição insensata da resistência alemã anti-hitleriana, os Cossacos anti-comunistas e os Polacos Livres (anti-comunistas); e das odiosas crueldades que foram infligidas pelos vencedores ás mulheres alemãs sem defesa, mas sem medo, que tentavam ajudar os seus maridos doentes e esfomeados, internados nos campos de prisioneiros Aliados.

A determinação de Bacque em fazer luz sobre certas verdades, escondidas ou negligenciadas desde há muito sobre os Aliados ocidentais e suas acções muito pouco gloriosas durante e após a 2ª guerra mundial, provocará, tão certo como a noite sucede o dia, a animosidade de uma cabala mitológica que rebaixou a noção simplista de heroísmo e da decadência dos aliados - e da maldade exclusiva dos Alemães- durante a última metade do século.

Autor: Ernst Friedel

Fonte 
Crimes and Mercies
Links complementares:
Site de James Bacque
Site da Associação de antigos combatentes
Herbert Hoover

Tradução por gang2 ervilha