![]() |
| Ibn Khaldoun |
Nesta continuação da 1ª parte, vamos ler um dos maiores e mais brilhantes filósofos de todos os tempos, um daqueles raros génios que a humanidade germina de tempos a tempos: Ibn Khaldoun. Neste pequeno trecho, uma pequena parte da sua longa descrição da queda de uma civilização, vamos mais uma vez observar semelhanças com a actualidade...
====================
O povo vencido tenta sempre imitar o vencedor no
seu ser, pela maneira de se vestir, pelas opiniões e pelos costumes
Os homens olham sempre como um ser superior aquele que os subjugou e que os domina. Inspirados de um medo reverencial para com ele, eles vêem-no rodeado de todas as perfeições, ou então atribuem-lhe-as, para não admitir que a sua subjugação foi efectuada por meios ordinários. Se esta ilusão se prolonga, ela é admitida como uma certeza. Então eles adoptam os costumes do mestre e tentam assemelhar-se-lhe sob todos os ângulos. É por espírito de imitação que eles agem assim, ou então porque eles imaginam que o povo vencedor deve a sua superioridade não ao seu poderio nem ao seu espírito de corpo, mas aos costumes e às práticas pelas quais ele se distingue.
Esta maneira de dissimular a sua própria inferioridade tem por motivo o que nós acabamos de citar. Assim podemos observar que por todo o lado os povos vencidos tentam parecer-se com os seus mestres pela vestidura, os equipamentos, as armas e todos os usos da vida.
Vejam como as crianças se modelam sobre os seus pais, e isso porque eles os vêm como seres sem defeito. Vejam, em todos os cantos da terra, como as populações regalam-se a levar a vestidura militar, tanto eles apreciam a superioridade das milícias e das tropas do Sultão. Igualmente todo o povo que fica na vizinhança de um outro, e que sentiu a preeminência, adquire este hábito de imitação a um alto grau. Nos nossos dias isso vê-se nos muçulmanos da Andaluzia, devido às relações com os Galícios (os cristãos de Léon e Castilla); eles assemelham-se-lhes pela maneira de vestir e estar; eles adoptaram mesmo a maior parte dos seus costumes, ao ponto de ornarem as paredes de suas casas e palácios com quadros. Nesses actos, o filósofo, só pode reconhecer um índice de superioridade.
De resto, Deus ordena o que Lhe parece bom! Esses fenómenos demonstram a verdade do provérbio popular, que cada povo segue a religião do seu Rei. De facto, o Rei domina sobre os seus súbditos, e estes o tomam como um modelo perfeito ao ponto de se esforçarem por imitá-lo em tudo. É assim que as crianças esforçam-se para se assemelharem aos seus pais e os estudantes aos seus mestres. Deus é um Ser Sábio!
Um povo vencido e submisso esmorece rapidamente
Logo que um povo se deixa despojar da sua independência, ele passa a um estado de abatimento que o rende servo do vencedor, um instrumento dos seus desejos, o escravo que ele deve alimentar. Então ele perde gradualmente a esperança de uma melhor fortuna. Ora, a propagação da espécie e aumento da população, dependem da força e da actividade que a esperança comunica a todas as suas faculdades do corpo.
Quando as almas engordam-se na submissão, e perdem a esperança, e mesmo pelo motivo de esperarem dias melhores, o espírito nacional apaga-se sob a dominação do estrangeiro, a civilização recua, a actividade dos trabalhos lucrativos cessa de facto, o povo, quebrado pela opressão, não mais tem a força para se defender e fica escravo do conquistador, a presa de cada ambicioso. Isto é a sorte que ele deve subir, mesmo que tenha fundado um Império e chegado assim ao termo do seu progresso, ou mesmo que nada tenha feito ainda.
O estado de submissão conduz, se não me engano, a um outro resultado: o homem é mestre da sua pessoa, graças ao poder que Deus lhe delegou; se ele se deixa despojar da sua autoridade e desviar do elevado objectivo que lhe foi dado, ele abandona-se tanto ao desleixo e à preguiça, que nem busca mesmo os meios de satisfazer as exigências da fome e da sede.
E isto é um facto cujos exemplos não faltam em alguma classe da espécie humana. Uma mudança semelhante tem lugar, diz-se, com os animais carnívoros: eles não copulam em captividade. O povo submisso continua assim a perder toda a sua energia e a esmorecer até que desapareça do mundo.(1)
====================
Este trecho de Ibn Khaldoun, é tão verdadeiro quanto a estarmos a vive-lo na actualidade. Para resumir “aquele que se deixa dominar, adopta sempre os costumes do vencedor, e assim o espírito nacional morre”.
Nós observamos este fenómeno por todo o lado, todos os dias a toda a hora.
Desde o “inglesismo” adoptado na linguagem corrente em detrimento da língua nacional, mc-donald's e hamburger's de plástico em todos os cantos do País, filmes e séries americanas a toda a hora, a maneira de vestir igual à dos americanos... tudo, mas tudo, provém deste americanismo, mesmo um simples penteado vindo dos USA, nós os submissos, vesgos como ovelhas, mesmo nisso nós o temos como um signo da superioridade desse povo corrupto e degenerado, e tão rápido aparece na televisão, tão rápido o adoptamos. E ficamos todos orgulhosos apesar de nos estarmos a submeter de livre vontade à degenerescência americana.
Os americanos são judeófilos, o modo de pensar deles é perfeitamente ancorado na filo-judeologia, e é esta uma das razões e uma das causas do declínio das nossas sociedades. Nós vivemos submissos a toda esta ideologia, como ovelhas labregas, "engordadas de submissão", prontas a alimentarmos o matadouro.
Escutemos, e atentemos para as palavras dos Sábios!
Notas:
(1) - Les Prolégomènes, Vol 1,pág. 309


