Hitler não era pagão
Jornalista :
Você era um líder de um movimento
nacionalista belga que se reclamava do catolicismo. Não havia
contradição com o seu apoio aos lados das armadas hitlerianas ?
Degrelle :
Toda a gente se engana lá a propósito de
Hitler. Ele era intensamente crente e invocava regularmente o nome de
Deus. Ele era de formação cristã, ele tinha mesmo feito parte do
coro da Igreja local. Certos líderes nacionais-socialistas eram
hostis à Igreja, sobretudo Bormann e Himmler, para não falar de
Rosenberg, mas as suas influências sobre Hitler eram praticamente
nulas. Ele não tomava a sério as buscas de Himmler sobre as antigas
religiões germânicas e a sua política foi muito favorável à
Igreja católica, mesmo se esta forneceu em seguida os rivais mais
determinados ao regime.
Encontrei-o numa manhã quando me preparava para ir à comunhão,
e quando lhe fiz parte da minha intenção – eu gostava muito de
provocar os meus interlocutores alemães, era uma maneira de exprimir
a minha independência deles - , ele não ficou surpreendido e
respondeu-me que a sua Mãe adoraria acompanhar-me se ainda fosse
viva, e o que contou Kubizek nas suas Memórias é muito revelador. A
minha religião não me parecia nada contraditória com a minha
adesão aos princípios e ideias avançadas por Hitler, e ele
compreendia muito bem, ao ponto que um dia fez-me esta declaração :
“
Se eu tivesse um filho, gostaria que ele fosse como tu...”
(1)
Hitler não tinha intenções de moldar o Cristianismo,
e ria-se das teorias pagãs!
Quanto a Hitler, sublinha Degrelle, ele não era ateu, e ele não
tinha planos para guerrear com as religiões.
A sua maneira de pensar era muito moderada, e ele explicou-me um
dia : “
Eu não quero organizar nenhuma persecução religiosa.
Se me fazem problemas ao nome da religião, brigas políticas, farei
face com vigor. Mas não é assim que virá o enfraquecimento das
religiões. Estou convencido que daqui a 100 anos, ou 200, a ciência
terá feito tais progressos, esclarecido tantos mistérios, dado
explicações naturais e lógicos aos problemas do homem e da criação
que a influência das Igrejas será fortemente reduzida ou
virtualmente eliminada. Acho mais lógico crer nesta evolução.”
Um dia em que lhe fiz remarcar que ele tinha à volta dele vários
teóricos anti-religiosos muito em voga, por exemplo Rosenberg, o
autor do “Mito do séc.20”, ele respondeu-me :
“Léon, já
leste esse livro ? Eu, nunca consegui!”.
Nós desatamos a rir, porque, eu também não, nunca tinha
conseguido passar da primeira dezena de páginas de textos estúpidos.
Hitler deixava os caga-cópias confusos trabalhar, aqui e acolá ao
seu redor. Isso dava ares de intelectual ao Movimento. Quando as
pessoas não compreendiam (porque era incompreensível!), eles mexiam
a cabeça e murmuravam : é profundo!
No Rex, eu possuía em reserva essas teorias consagradas em que
nunca tinha lido uma linha. Elas explicavam gravemente, na capa, aos
amadores de adivinhas políticas, as finezas distorcidas e subtis da
minha doutrina – que era simples como um ovo com casca, e gozava
com essas filosofias distorcidas !
Hitler fazia-me rir dizendo que ele agia exactamente como eu com
essas impressionantes filosofias! (2)
Hitler, Mussolini e Salazar
Enquanto homens, Hitler e Mussolini
eram bem diferentes. O povo alemão e o povo italiano eram
diferentes. Enquanto doutrinas, o fascismo e o nacional-socialismo
eram diferentes.
Se os dois principais movimentos
“fascistas” da Europa, esses mesmo que se içaram ao poder
em Roma e Berlim... pareciam já assim tão distintos um do outro,
que dizer então dos outros “fascismos” surgidos na
Europa, que fosse na Holanda ou em Portugal, na Roménia, na Noruega
ou em outros lados! ….
Por outro lado, o “fascismo”
em Portugal era sem paixão, como o era o seu mentor, o Pr. Salazar,
um cerebral, que não bebia, não fumava, vivia como um eremita,
vestido como um pastor, fixava os pontos da sua doutrina e etapas da
sua acção tão friamente como se comentasse as leis romanas.
Ao lado do Hitler proletário, do
Mussolini teatral, do Salazar professoral... (3)
Notas:
(1)
–
“Pourquoi j'ai cru en Hitler”, p.5
(2)
-
“Degrelle m'a dit”, p.384-85
(3)
-
“Hitler pour mille ans”, p.9,10
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Como bem dá a entender Degrelle, cada país tem a sua mentalidade
e a sua maneira de conceber o nacionalismo. De um Hitler liberal,
passamos a um Salazar anti-liberal. O primeiro deixava ás empresas
terem campo livre para negociarem, inovarem como desejarem, conquanto
não abusem dos limites impostos por lei, o segundo já entendia que
tudo devia ser nacionalizado e o que se construisse seria por conta e
propriedade do Estado. Hitler não tinha posição religiosa, embora
respeitasse muito o Cristianismo, e Salazar era profundamente
católico, tanto que o Estado era governado em total acordo com a
doutrina da Igreja, sem mexer uma virgula.
É pedir demais que sejamos como os alemães, que têm um espírito
matemático, lógico, racional e onde a ordem e organização é lei.
Já não é a mesma coisa com o português, mais desordeiro, mais
tendência para o espiritual que para o racional, mais agarrado ás
coisas antigas, e portanto menos tendência a inovar. E isto é
notório em todos os aspectos da vida. Basta ver a diferença entre
Salazar e Hitler, cada um deles é uma imanência do espírito do seu
povo.
Quanto aos paganismos, isso pelos vistos era os desenhos animados para Hitler rir-se de vez em quando! Devia ser uma autentica macacada naquele tempo, como o é agora. Hitler devia apanhar ataques de riso.