“O monoteísmo não tem nada a ver com o espírito europeu, é
uma mentalidade do deserto, típica dos semitas, portanto estranha ao
europeu.”
A declaração citada acima, navega muito aí pela net. Vamos lá analisar este tipo de argumento. À primeira vista, tem ar de sólido... Será ? É o que vamos ver...
Não parece ! É necessário uma correcção. Vamos dar uma vassourada nesta choramingueira típica da paganaria ; em dois tempos, três movimentos fica o assunto resolvido :
- De toda a história da humanidade, pelo menos do que se conhece e, segundo a opinião convergente da grande maioria dos especialistas, pode-se afirmar que o monoteísmo nasceu na família indo-europeia : falo precisamente do Zoroastrismo.
- Os Persas pertencem à grande família indo-europeia ; logo, bem antes de ser um exclusivo semita, como é conhecido erradamente até hoje, foi dos indo-europeus que nasceu o culto a um só deus (tendo em conta o aviso maioritário dos antropólogos e historiadores).
- Sendo assim, e se os eruditos nessas coisas estão correctos ao afirmarem ser este, historicamente, o monoteísmo mais antigo que se conhece, conclui-se então não ser estranho nem estrangeiro à mentalidade e forma de estar do indo-europeu - de onde todo aquele conhecido por “europeu” proveio.
Pode-se dizer então, com boa margem de segurança e convicção, que o argumento choramingueiro da paganaria, é incorrecto, é absurdo. Um mito.
Pouco nos importa aqui, em saber se é o verdadeiro ou falso monoteísmo, se uma deturpação, se é ou não a crença primordial. O que se deve reter, é que o monoteísmo faz parte do corpo religioso identitário de todo o indo-europeu e, pelos vistos, se nos abstivermos de nossas próprias crenças e, olharmos unicamente sob um ponto de vista histórico, foi ele mesmo, quem inventou o monoteísmo !



