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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Democracia e gangrena


 Por Desatracado, ensaísta, 24/09/2015

 ... cada ideologia partidária destrói alguma coisa diferente do outro, e assim, na somatória, acabam destruindo tudo. Por isso é de supra importância a tal da "alternância de poder".

Democracia e gangrena, o que ambas têm em comum? Nos ensina a Medicina que "gangrena é a morte de um tecido do corpo devido à insuficiência de irrigação sanguínea em uma determinada região ou à uma infecção bacteriana. A doença é mais comum nas extremidades do corpo, incluindo pés, dedos, braços e pernas, mas também pode ocorrer em músculos e órgãos internos. Há dois tipos principais de gangrena, a seca e a húmida."

Para que servem os partidos políticos? Para gangrenar. Vejamos.


 No Brasil, uns pedem intervenção militar contra o governo porque nem situação nem oposição lhes representa, e a oposição derrotada na eleição que também não representa nem um nem outro segmento eleitoral, não se conforma criando confusão. E o imbróglio não para.

Analismos breve e primeiramente para que servem os Partidos de Direita, Esquerda e Centro, constatamos:

Partidos de Esquerda: para destruir a religião, a família, a educação, a meritocracia, a nacionalidade, ... em nome da igualdade, da justiça social, da tolerância, ....

Partidos da Direita: para destruir os pequenos e médios empreendimentos, a agricultura familiar, a indústria nacional, ... em nome do Estado mínimo, favorecendo o grande capital, a especulação pelo sistema financeiro privado, ...

Partidos do Centro: destruir partes de um ou de outro dos dois acima e aquilo que por ventura deixaram passar. E todos os três defendem alguma minoria, o que acaba levando a destruição da maioria, ou seja, a destruição da unidade nacional.

A lista é com certeza maior, e muitos partidos de posições diferentes, tem objetivos comuns para destruir ou gangrenar.

Observando sem paixões ideológicas, nenhum partido atende as necessidade do povo por completo, todos estranhamente têm uma ideologia de "cobertor curto", quando cobre aqui, descobre lá e nunca fecha o todo. Consequentemente, nenhum realmente representa a vontade do povo por completo. Se não representa o povo como um todo, pode ser legítimo nas urnas, mas não é legítimo no aspecto moral e cívico nem competente quanto aos anseios do povo ou como representante integral da Nação, e com essa prática, incorre-se no grave perigo de produzir divisões internas então inexistentes na Nação e de aprofundar as existentes, como tem realmente ocorrido.

Como vemos, cada ideologia partidária destrói alguma coisa diferente do outro, e assim, na somatória, acabam destruindo tudo. Por isso é de supra importância a tal da "alternância de poder". São todos fatores que geram desgaste ao povo em sua economia, civismo e paciência, confundindo e trapaceando essa agenda gangrenosa que mata aos poucos a todos, sem ser muito percebida ou compreendida, impedindo consertos, defesa ou combate ás suas mazelas. Realmente, a Democracia é uma tática de destruição excepcional. O próprio povo, a principal vítima, é também o carrasco, que (c)ordeiramente vai se auto gangrenando.

Portanto, parafraseando sobre a definição da gangrena, nos ensina a observação da História e Política que "Democracia é a morte de um tecido da Nação devido à insuficiência na promoção em uma determinada área material, social e/ou espiritual. A destruição é mais comum por partes (para não levantar suspeitas) do corpo da Nação, incluindo infraestrutura, educação, economia, valores cívicos e espirituais, soberania, conceitos, história. Há dois caminhos principais de gangrena, a esquerda e a direita."


Compreendido que tanto a Democracia como a gangrena vão corroendo paulatinamente os seus respectivos tecidos até ao óbito, fazem patéticas quase a totalidade das discussões sobre esse ou aquele candidato, partido ou se é de esquerda ou direita. Por isso digo e repito que a "Democracia (correto é Vulgocracia) de direita, centro ou esquerda, é um circo que só palhaço acredita. E o palhaço ainda é burro e pagante."

E como se cura a gangrena?

Artigo aparecido no 24/09/2015, reproduzido a partir do site desatracado.blogspot.com
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NdR - A percepção que se tem hoje de "democracia" não teria nenhum sentido para um ateniense da antiguidade. É sim uma forma de tirania disfarçada com casaca de "democracia representativa", na qual os partidos políticos são os seus executantes.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Reflexões sobre argumentos contra a abstenção


No seguimento deste artigo, tentei examinar de perto alguns argumentos utilizados contra a abstenção expondo brevemente um ponto de vista pessoal.

1- a abstenção reforça o poder dos partidos corruptos.

- Falso. A abstenção é um forte sinal de descontentamento  e desinteresse da população face ás escolhas que lhes são impostas de maneira tirânica. Quanto mais alta a abstenção, menor é o grau de legitimidade dos partidos políticos e por consequência a desacreditação da falsa democracia representativa.

2- os partidos políticos do poder, pagam a colaboradores para incitar o povo á abstenção

- Falso.  Não teria então sentido a voz uníssona pela qual todos os dirigentes partidários e seus lacaios apelam ao voto, incluindo o próprio Presidente da Répública.

As elites oligárquicas e aristocráticas, vêm com maus olhos o descrédito e queda vertiginosa do próprio sistema que eles mesmo elaboraram em proveito próprio.

Pode-se explicar então de algumas maneiras o porquê do apelo dos aristocratas ao voto:

a) A incerteza. Talvez seja o maior inimigo dos políticos neste caso, deduz-se então que o apelo ao voto seja apenas uma reação pavloniana quando pressionados por essa mesma incerteza. Esta reacção poder-se ia exprimir pelo simples feito de a história nos ensinar que as premicias de uma revolução ou mudança é precedida de um ambiente de descontentamento geral da população. A abstenção é um dos parâmetros pelo qual se pode medir a amplitude desse descontentamento geral que sanciona a incompetência dos políticos.


b) O marketing. Vários estudos indicam que uma boa fatia dos eleitores escolhem em que partido votar momentos antes do voto. O incentivo ao acto eleitoral elevando como estandarte supremo os benefícios do acto democrático, do dever cívico, do pleno exercício da cidadania, é então dirigido especialmente para aqueles que tenham em mente a intenção ou a dúvida de se absterem. Muitos serão assim impulsionados a ir á sala de voto para cumprir seu "dever de cidadão".  neste percurso, sem o saberem, estarão á mercê da propaganda dos médias de informação que vêm como uma oportunidade única de amealhar ainda mais votos para o seu candidato, escolhido pelo sistema e não pelos cidadãos. Repare-se igualmente, que a eficácia desta manipulação só pode ser amplificada momentos antes do voto, razão pela qual é sempre um dia antes da ida ás urnas que todos os políticos choramingam para que os cidadãos não se abstenham.

3- a abstenção é própria aos incultos e iletrados.

- Falso. Pode-se observar um fenómeno interessante, parece que quanto mais alta a taxa de alfabetização maior é a abstenção.

É sobretudo nos grandes conglomerados populacionais que se observam a maioria das abstenções, logo é nas zonas rurais onde o nível de alfabetização é estatisticamente mais baixo que os partidos pescam a maioria dos seus votos. Isto parece contrariar esse argumento de um modo geral.

É preciso mencionar que o nível de cultura (duvido que tal coisa possa ser medida) não é sinónimo de iletrado ou de um baixo nível escolar. Os que mencionam a abstenção como um acto próprio a incultos, parecem ser eles mesmos os mais incultos dentre os incultos usando este tipo de argumento.

Frases famosas, utilizadas contra a abstenção

4- a famosa frase de Platão "O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior"

- Falso. Esta frase é falsamente atribuída a Platão. Pessoalmente desconheço quem a atribuiu ao filósofo e não faço ideia de onde surgiu. Que mesmo se fosse verdade, a dita "democracia representativa" não existia na sua época, portanto nunca se poderia referir a qualquer acto de "eleição" ou "voto", pois no seu tempo os dirigentes eram mandatados através de uma tiragem á sorte. O conceito de "eleição, voto, eleitor" e "representatividade" era totalmente desconhecido a Platão e seus congéneres (aqui não tenho a certeza do que digo, mas segundo as minhas leituras parece ser bem o caso).

A psicologia do voto e da abstenção

O voto pode ser considerado na verdade um acto irracional, acto desprovido de reflexão pois é induzido através de vários factores exteriores que o eleitor não tem o mínimo controlo, em especial a pressão constante dos médias de informação. Sendo assim a abstenção pode então ser considerada todo o seu contrário.

De um ponto de vista psicológico, o votante, sente no seu inconsciente a necessidade de espelhar a relação de dependência infantil. Tal e qual como os parentes lhe proporcionavam todo o bem-estar sem ter de se preocupar com o "depois", assim o eleitor  enquanto apenas olha para o conforto momentâneo, faz acto inconsciente de desejar alguém que se preocupe com o seu futuro, que tome as decisões no seu lugar sem que seja obrigado a se preocupar com o "depois". Os bens materiais apenas lhe proporcionam viver o presente. O futuro é visto como algo indefinido e duvidoso. Em consequência outorgam a responsabilidade e a obrigação aos políticos para enfrentar o desconhecido.

Visto assim, o abstencionista é alguém que raciocina quanto ao futuro e não somente quanto ao presente. O não-desejo de deixar outros dirigir o seu destino logo se exprime psicologicamente por uma rejeição das urnas, uma sorte de corte umbilical e a forte convicção de poder tomar assim que possa as rédeas do seu próprio destino.

É também interessante observar que o fenómeno abstencionista é proporcionalmente crescente quanto mais incerto e obscuro for o futuro. Isso assinala um "acordar" para a realidade. É este "acordar" que tanto medo faz aos políticos.

Uma questão deve ser posta então : Por quanto tempo os políticos corruptos ainda conseguirão manter uma sociedade dormente ?

Autor: Gang2 Ervilha

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Sobre a falsa democracia e a questão do voto.

Muitos clamam aos quatro cantos de Portugal, que se não se votar, não se castigará assim os corruptos que desde o 25 de Abril se mantêm no poder e que portanto todos os abstencionistas e aqueles que votam nulo ou branco, nada mais fazem que ajudar a manter esses corruptos no poder devido á falta de punição que os votos poderiam proporcionar.

Os abstencionistas, nulos e brancos, por seu lado afirmam que se esses corruptos ainda estão no poder, é graças aos votos de quem votou neles, pois jamais poderiam ter acedido ao poder sem essa força de voto.

Os adeptos do voto então argumentam que para punir os corruptos, é necessário depositar a confiança num partido que nunca esteve no poder, pois seria o meio democraticamente mais eficaz para fazer saltar os corruptos da cadeira do poder.

O abstencionista responde então que tais argumentos são inválidos e dá como exemplo mais recente o caso do Syriza, um pequeno partido que nunca estivera antes no poder, que no fim acabou por ser o autor de uma traição sem precedentes na história da "democracia moderna". Sendo assim, o argumento de punir os partidos do poder através do voto num pequeno partido parece ser tão inútil como votar num partido de corruptos.

A verdade é que mesmo que não se deva generalizar tal feito a todos os pequenos partidos, mesmo assim não é seguramente algo que possa garantir a soberana vontade dos cidadãos.

Pessoalmente, estou convencido que este tipo de argumentos e contra-argumentos de uns e outros é apenas o fumo que na realidade esconde o fogo, seja, é apenas o efeito de uma causa. Assim convencido, melhor seria estudar a causa ao invés de seus efeitos, pois certamente aí reside o problema. E nós como cidadãos, passamos nosso tempo em querelas do tipo votas ou não votas que é precisamente o que o sistema deseja e fomenta!

Mas afinal o que é o voto ? "Um acto democrático!", responde a maioria. Sendo que o voto é um acto democrático, então isso significa que vivemos numa "democracia". Mas agora, afinal o que é essa coisa de "democracia" ? É o poder exercido pelo povo! Pois, pois, o poder exercido pelo povo... mas em que parte do mundo o poder é exercido e administrado pelo povo ? Eis aqui a essência do problema, sem deixar de realçar, que talvez a única excepção, pelo menos a mais conhecida, seja o caso da Suíça, em que realmente o povo ainda controla uma boa parte dos destinos da Nação.

Vejamos então se realmente vivemos numa democracia...

Alain Cotta, professor em ciências económicas e membro da Comissão Trilateral, numa entrevista dada a uma rádio, afirma o seguinte : " A oligarquia não me parece ser algo inquietante mas parece-me ao contrário ser o governo natural dos homens em comunidade [...] penso que cada vez mais, efectivamente as 4 categorias de indivíduos que compõem esses 1%, exercem o poder naquilo a que se chama de "democracia", que é uma espécie de ilusão que nos faz prazer, porque nós preferimos dizer todas as manhãs que temos alguns poderes sobre as decisões colectivas e que vivemos em democracia ao invés de uma oligarquia."

Este senhor afirma que vivemos numa ilusão de democracia, pois na realidade o sistema de governo é uma oligarquia. O poder exercido por alguns, para proveito de alguns e segundo a vontade de alguns. O povo assim está fora de qualquer tomada de decisão, para não ficarem descontentes então apenas lhes é dada a opção de voto de X em X anos, voto esse condicionado aos partidos que lhe são propostos para escolha. Daí se dar razão aos abstencionistas, pois suas recusas em votar demonstram claramente o descontentamento destes nas escolhas que lhes são impostas pelo sistema e a intima convicção de que nada mudará vote-se em quem se votar. É uma escolha limitada, e sendo limitada a tal e tal partido, não releva de um acto democrático mas sim de uma imposição e o de fomentar a ilusão de uma escolha democrática.

Longe de ser um sistema perfeito, Churchill dizia que a democracia era o sistema de governo do qual se entendia "ser o menos pior dentre os piores". A realidade é que desde os tempos da antiga Grécia, o sentido até então compreendido por Platão e seguidamente durante mais de 2 mil anos, tinha mudado drasticamente desde então. Daí a famosa frase de Churchill. O professor Francis Dupuis-Déry, analisa bem ao longo dos séculos a definição  da palavra democracia e sua deturpação de sentido a partir da revolução americana e francesa e o feito pouco conhecido através da análise de escritos históricos, de que todos os ditos pais da democracia sem excepção, na realidade não poderiam ser mais antidemocráticos.

Nós cidadãos, devemos então pôr a seguinte questão: poderia seja qual for a forma de democracia, ter tido origem a partir de dirigentes antidemocráticos ?

O humanista Étienne de la Boétie já no séc.16 considerava que existiam três tipos de tiranos, dos quais aquele que é "eleito". Designava então este como o pior dos tiranos.

O professor Etienne Chouard, dá algumas pistas para explicar a impotência do povo face a todo este sistema, tal impotência está em efeito inscrita na Constituição de cada País. Uma frase deste que ficou muito célebre demonstra perfeitamente o caso: "Porque não é aos homens no poder de escrever as regras do poder." Frase de um amplo significado se tivermos em conta de que se é dada a tarefa a um homem no poder de escrever as suas próprias regras de poder tais como leis e constituição, o resultado obtido terá sempre tendência a desfavorecer os cidadãos tudo em favorecendo os homens no poder. Assim infelizmente aconteceu com a Constituição Portuguesa. Como remédio, Chouard preconiza que deve ser o povo a eleger uma Assembleia Constituinte através de uma tiragem á sorte, evitando-se assim influências exteriores de possíveis elites financeiras ou lobbyes, essa Assembleia estaria encarregada de escrever a Constituição e assim gravar na mesma os limites, restrições e controlo ao poder exercido pelos futuros eleitos. Eleitos estes que dirigiriam as instituições do País, num muito curto espaço de tempo, promovendo-se a rotação rápida tentando assim evitar que se agarrassem ao poder e que se crie um ambiente propicio á corrupção e compadrio.

Os especialistas em manipulação mental de massas, os professores Marco Luna e Paolo Cioni, provam que a sociedade é gerida do alto (oligarquia política) e não do baixo (cidadãos), do exterior (oligarquia financeira) e não do interior (oligarquia política). Indo mais longe, sobre a dita "democracia representativa" escrevem o seguinte : "Quando entramos numa sala de voto e votamos num candidato político - é a democracia representativa - esse nome, não fomos nós que o escolhemos, mas sim os secretariados dos partidos que nos sopraram esse nome á orelha, e de facto, uma vez eleitos, serão apenas uma das muitas marionetas ao serviço do poder económico e irão responder apenas a este último, não aos eleitores! Apesar disso, acreditamos que as eleições são a expressão da democracia."

Ainda sobre o voto do eleitor, é dito o seguinte: "As pesquisas em psicologia mostraram que o fundamento mesmo da legitimação do poder político através do voto democrático é um comportamento totalmente irracional, é o produto de factores psíquicos irracionais e subconscientes, e que o sentido jurídico de uma suposta vontade popular não pode ser atribuída á palavra "voto" que através de uma ficção jurídica. As eleições são essencialmente um instrumento de "fazer crer", de ilusão, para criar a opinião legitimada, ou para criar uma falsa percepção popular..."

Muito estes especialistas em manipulação de massas dizem sobre o assunto, obviamente não é possível relatar tudo aqui.

Concluindo, a oligarquia prima em todas as circunstâncias sobre as necessidades dos cidadãos. Tais coisas são evidentemente ocultadas expressamente aos cidadãos pela elite oligárquica que tudo fará para conservar o poder e se beneficiarem assim mutuamente, tudo em esquecendo os cidadãos aos quais se oferece o direito ao voto...e o povo assim está contente. Porque ele mesmo crê viver numa maravilhosa democracia.

Ora se nem sequer vivemos numa democracia, então o que nos legitima a votar ? Esta é a razão pela qual nunca votei, não votarei e nem tampouco faço intenções de saber o que é um boletim de voto. Possível que talvez faça uma excepção ao Paulo Morais, no sentido único de ser um contra-peso á oligarquia, de lhes dificultar a vida, porque apesar de tudo, não acredito que o Paulo Morais possa mudar seja o que for apesar das suas boas intenções e sinceridade.

Numa segunda parte, tentarei brevemente expor as várias soluções ao problema da nossa falsa democracia.

Autor: Gang2 Ervilha