“Em rejuvenescendo a população (pela imigração), contribui-se necessariamente a pagar as reformas”. Análise de um mito.
Recentemente ainda, um economista do Banco Mundial Hernan Winkel justificava a imigração para a Europa pelo argumento frequentemente repetido : “Em rejuvenescendo a população (pela imigração), contribui-se necessariamente a pagar as reformas”.
Ora esta afrimação é inexacta : o Estado não pode pagar os custos crescentes de uma população envelhecida unicamente com recursos suplementares ; e seja qual for a idade, os inactivos sem recursos não contribuem.
Para assegurar as futuras reformas, são os recursos do Estado que se deve aumentar, sobretudo aumentando o numero de empregos produtivos.
A imigração poderia contribuir de duas maneiras : seja, os imigrantes colmatem uma escassez de mão-de-obra nos sectores produtivos ; seja, se os imigrantes criem novas empresas geradoras de empregos produtivos.
Mas globalmente na Europa, a imigração actual proveniente dos países do terceiro-mundo não é escolhida em função do mercado de trabalho e é pouco qualificada. Os desempregados pouco qualificados já são numerosos, esta imigração não selectiva só vai fazer crescer o numero global de desempregados e de ajudas sociais. Estes imigrantes não têm no geral as competências necessárias para criar novas empresas.
Na realidade, esta imigração europeia não selectiva só vai piorar o problema das reformas. De facto, os desempregados e beneficiários de ajudas sociais que ela requer exigem recursos suplementares.
O Estado encontra recursos em aumentando a pressão fiscal, o que têm como consequência inevitável a diminuição da competitividade das empresas. E para manter a competitividade, estas são obrigadas a fazer economias, por exemplo em reduzindo o pessoal ou deslocalizando-se para países cuja mão-de-obra seja barata... ou então arriscar-se à falência. Tudo isto diminui o emprego e agrava o problema das pensões.
E se, a recusa de uma aumentação da pressão fiscal mantendo fechado o envelope da segurança social, os montantes alocados aos desempregados e beneficiários sociais suplementares agravaria outros postos da segurança social, como por exemplo a segurança de doença-invalidez... ou mesmo as pensões!
Logo, em principio, independentemente de toda a consideração sobre as eventuais vantagens ou inconvenientes que a imigração actual proveniente dos países do terceiro-mundo trariam para a Europa, esta não resolveria em nada o problema das pensões. Poderia-se, sim, resolver esse problema em aumentando o emprego productivo.
Para isso, tinha-se, de um lado, melhorar a competitividade das nossas empresas, diminuindo o peso do Estado e assim a pressão fiscal. E de outro lado, facilitar a criação de empresas, notavelmente através de uma baixa significativa dos seus encargos administrativos e sociais. Mas seguramente, sem encorajar a imigração extra-europeia.
Assim, a afirmação “rejuvenescer a população pela imigração contribui a pagar as reformas” pode ser repetida ao infinito, ela não repousa actualmente na Europa sobre a realidade. É portanto um desses mitos ideológicos que se deve repudiar para resolver os problemas.
Autor: Jacques Stelliez
Artigo aparecido no 27/04/2016, traduzido e reproduzido a partir do site Polemia.com
